Março já registou menos 1.500 carros a combustão a trabalhar em Lisboa e no Porto por as plataformas Bolt e Uber não terem ajustado as tarifas aos aumentos dos combustíveis, revelou esta quarta-feira, 25, a associação de transportes em automóveis descaracterizados.
Em comunicado, a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) adianta que “a paragem está a acelerar”, sendo que, “nos 57% [de veículos] que trabalham a combustão, a paragem é forte”.
“Só é mascarada pelos veículos elétricos, que são 43% da frota”, acrescenta a associação, adiantando à Lusa terem sido 1.500 os veículos que pararam este mês nas duas maiores cidades, por não ser opção “trabalhar para perder dinheiro”.
Na nota de imprensa, a associação critica novamente “a inação das plataformas face ao aumento dos combustíveis e exige intervenção urgente”.
Atualizando o valor dos aumentos contabilizados nos combustíveis – passou dos 30 cêntimos há uma semana para mais de 40 cêntimos na atual –, a associação aponta ao mesmo alvo, afirmando que, “apesar disso, nem a Uber nem a Bolt ajustaram as tarifas, nem apresentaram qualquer mecanismo de apoio aos operadores e motoristas”.
“Mais grave: nenhuma das plataformas respondeu às cartas abertas enviadas pela APTAD, onde eram diretamente questionadas sobre as medidas que pretendem implementar para fazer face a este aumento de custos”, acusa ainda a associação.
Segundo a APTAD, as consequências “já são visíveis no terreno”, com “operadores e motoristas que começaram a parar a atividade, porque simplesmente deixou de ser viável trabalhar nestas condições”.
Neste contexto, a associação entende que a “situação é a prova inequívoca de que o atual enquadramento legal falhou”, pois a “legislação em vigor permite que as plataformas continuem a definir unilateralmente os preços, sem qualquer obrigação de refletir os custos reais da atividade”.
A APTAD recorda que “já apresentou ao Governo uma proposta de alteração à Lei do TVDE que corrige este desequilíbrio, introduzindo mecanismos como tarifas mínimas e uma taxa de ocupação mínima por plataforma, garantindo que os preços das viagens refletem os custos reais da atividade e evitando a destruição dos rendimentos dos motoristas”.
“Perante a gravidade da situação”, a associação exige uma “resposta imediata das plataformas Uber e Bolt, esclarecendo porque não refletem nos preços das viagens o aumento brutal dos combustíveis”.