O preço dos combustíveis volta a aumentar esta segunda-feira, dia 23 de março, uma consequência direta da guerra do Médio Oriente com elevado impacto no bolso dos consumidores. O litro do gasóleo simples ficará 16 cêntimos mais caro e o da gasolina 95 nove cêntimos, de acordo com as previsões do Automóvel Clube de Portugal.
Estas subidas vão elevar o preço médio do litro gasóleo acima da fasquia dos dois euros (cerca de 2,08 por litro) com a gasolina a atingir os 1,94 euros. Sublinhe-se que estes são valores aproximados, podendo variar por posto de abastecimento, marca de distribuição e localização.
A escalada do preço dos produtos petrolíferos está a preocupar os vários setores de atividade económica e também os portugueses. O presidente do ACP, Carlos Barbosa, já veio a público alertar para o facto de que a resposta do Governo a este crise é “insuficiente” e pediu novas medidas “imediatas” para aliviar o impacto provocado pela guerra no Médio Oriente.
Desde o início do conflito (28 de fevereiro), o preço do litro do gasóleo “aumentou cerca de 45 cêntimos e o da gasolina 25 cêntimos”, e o apoio em sede de Imposto Sobre os Combustíveis (ISP) “tem sido manifestamente insuficiente”, refletindo-se “em apenas 6,1 cêntimos por litro no gasóleo e 3,3 cêntimos na gasolina”, disse.
Segundo o ACP, “a partir desta segunda-feira, a situação torna-se ainda mais evidente: o apoio traduz-se numa poupança real de apenas 3,2 cêntimos no gasóleo e 1,7 cêntimos na gasolina”. Para Carlos Barbosa, a sustentabilidade da economia nacional e das famílias portuguesas exige uma redução significativa da receita fiscal arrecadada em sede de ISP e IVA.
O presidente do ACP sublinha que “o Estado continua a arrecadar milhões em receita fiscal através do ISP e do IVA” (imposto sobre o consumo) e “o peso continua a recair sobre os contribuintes”.
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) também veio defender que a receita fiscal do Estado não pode beneficiar desta situação. Segundo a CAP, mesmo com o desconto sobre o ISP, a receita do Estado vai aumentar 10% devido à escalada dos preços.
“O mercado dos combustíveis não se pode regular, mas podem existir compensações para os agricultores que utilizam gasóleo. Quando aumenta o preço, a receita do Estado também aumenta”, disse o secretário-geral da CAP, Luís Mira.
A CAP avisou que o preço dos alimentos também vai disparar caso a guerra se prolongue. E lembrou ainda que o conflito tem um grande impacto nos adubos, uma vez que cerca de 25% vem daquela região.
Com Lusa