Os portugueses mantêm a preferência por destinos de sol e praia, como Cabo Verde, Caraíbas e Brasil, nesta Páscoa, mas as férias também são aproveitadas para fazer outras viagens, quer seja na Europa, ou mais longas e diferenciadoras. Operadores turísticos e agências de viagens contactadas pela Lusa apontam também a procura pelas ilhas portuguesas, circuitos culturais na Europa e viagens intercontinentais a destinos como Japão, Austrália e Peru, refletindo uma diversidade crescente nas escolhas de férias.
Na Solférias, a responsável de operações, Sónia Regateiro, disse à Lusa que o ‘Top’ 5 do operador turístico é “Cabo Verde, Disneyland Paris, Brasil, Senegal e Tunísia”. Alguns destes destinos são confirmados pelo diretor geral de vendas da Agência Abreu.
“Neste período, destacam-se os destinos de sol e praia, com as Caraíbas e Cabo Verde no topo das preferências dos portugueses. Tunísia, Ilhas espanholas, ilhas portuguesas e Disney são também bastante procurados, na medida que combinam proximidade, diversidade de experiências e segurança”, afirma Pedro Quintela.
Nos circuitos e grandes viagens, o responsável da Abreu diz que continua a verificar-se “uma procura consistente por programas organizados, refletindo o interesse dos portugueses por experiências mais completas e diferenciadoras (…)”, reforça.
A Lusanova destaca em Portugal os Açores e a Madeira, mas diz que, no Continente, “existe um nicho relevante” que procura os circuitos do operador de “dois a três dias, sobretudo os que combinam o norte de Portugal com Santiago de Compostela, em Espanha”, afirma o diretor operacional.
“Na Europa – que continua a concentrar a maior procura nesta altura do ano – destacam-se a Itália, Benelux, Reino Unido e Irlanda, Islândia, Grécia, bem como os Balcãs, com destaque para a Croácia e a Albânia. Fora da Europa, Marrocos e Egito continuam a ser destinos procurados pelo turista português, sendo que, no caso deste último, a procura abrandou ligeiramente nos últimos dias. Japão, Argentina e Chile mantêm-se em tendência desde o ano passado, enquanto o Brasil e o Peru registam o maior crescimento“, sublinhou ainda Tiago Encarnação.
À semelhança do que aconteceu para o final de ano, a Pinto Lopes Viagens confirma “o peso crescente das viagens diferenciadoras” nas suas vendas. “Na oferta da Pinto Lopes Viagens, especializada em viagens culturais em grupo e de autor, os portugueses continuam a aproveitar a pausa da Páscoa para fazer viagens mais longas e diferenciadoras, nomeadamente para destinos intercontinentais como o Japão, a Austrália, o Brasil ou o Peru”, refere o presidente executivo (CEO).
Rui Pinto Lopes acrescenta que, “em simultâneo, esta é também uma época do ano particularmente forte para destinos europeus”, com destaque para a Croácia, o sul de Itália, a Europa Central, a Islândia e a Suíça.
Destinos portugueses
Em Portugal, e porque “a Páscoa continua a afirmar-se como um período muito relevante, tanto para viagens de maior distância como para circuitos culturais mais próximos”, a Pinto Lopes lançou este ano duas propostas centradas nas celebrações da Semana Santa e na valorização do património e das tradições locais — a Semana Santa no Ribatejo e Alentejo e a Semana Santa Transmontana.
Segundo estes responsáveis, a procura dos portugueses por viagens na Páscoa mantém-se globalmente estável face a 2025, com sinais pontuais de crescimento, a preços mais altos e numa conjuntura de prudência que, ainda assim, não travaram a vontade de viajar.
Preços
“O volume de vendas para o período da Páscoa encontra-se globalmente em linha” com 2025, disse o diretor-geral de Vendas da Agência Abreu, à Lusa. Cenário de estabilidade idêntico vive o operador Lusanova. “As reservas para a Páscoa estão a decorrer dentro da normalidade, em linha com os anos passados. Não estamos a registar alterações significativas no comportamento da procura”, diz Tiago Encarnação.
A Solférias aponta para um crescimento moderado, mas condicionado pelos fatores externos. “Até ao momento registámos para o período da Páscoa um acréscimo de 7% face a 2025, tendo as vendas sentido um decréscimo face ao espectável devido a cancelamentos de reservas para destinos afetados pela guerra do Médio Oriente”, admite a ‘Chief Operating Officer’ (responsável de operações), Sónia Regateiro, à Lusa.
O sentimento de prudência é também notado pela Pinto Lopes Viagens. “As reservas para a Páscoa estão a evoluir de forma positiva. Nas últimas semanas, o contexto internacional trouxe alguma prudência adicional por parte dos clientes, o que é natural, sobretudo no caso de viagens para regiões mais próximas de zonas de instabilidade”.
Rui Pinto Lopes antecipa um saldo semelhante ao do ano anterior. “Nesta fase, a nossa expectativa é que a operação da Páscoa fique em linha com a de 2025″.
Já os preços foram atualizados, mas apontam intensidades distintas. “À semelhança do que já se verificou no último ano, a subida de preços não tem travado a procura, refletindo a forte vontade dos portugueses em viajar”, refere Pedro Quintela. Sónia Regateiro diz que “os preços estão mais elevados, dado o aumento geral de inflação dos serviços aéreos e hoteleiros e recentemente fruto do aumento de taxas de ‘fuel’ por parte das companhias aéreas”.
Também a Pinto Lopes Viagens aponta fatores externos como determinantes, já que trabalha, sobretudo, com o mercado internacional e, “nesse enquadramento, os preços continuam condicionados por vários fatores externos, nomeadamente a evolução das taxas de câmbio”.