Portugal continua sendo um dos destinos favoritos de quem decide recomeçar a vida na Europa – e não é difícil entender o porquê. Clima ameno, segurança, qualidade de vida e facilidade com o idioma seguem atraindo brasileiros de todas as regiões.
Apesar de tudo isso, o custo de vida em Portugal continua a subir e já levou muitas pessoas a voltar para seus países de origem ou tentar a sorte em outros destinos da Europa. Em julho de 2025, o DN Brasil publicou um guia com os custos médios para viver no país. Agora, seis meses depois, os valores aumentaram – e as projeções para 2026 indicam que a tendência de alta deve continuar.
Apesar das previsões apontarem para um recuo da inflação para 2,1%, os aumentos estão espalhados por várias áreas essenciais. Aluguéis, luz, água, transporte público, telecomunicações, supermercado, combustível e até as portagens já tem atualizações confirmadas para este início de ano – e a soma dessas altas pode impactar significativamente o orçamento de quem chega – e também de quem já vive por aqui.
O aluguel sobe de novo
O custo da moradia continua sendo o maior peso no orçamento e a crise da especulação imobiliária um dos maiores problemas de Portugal atualmente. De acordo com reportagem do SAPO, em 2026, as rendas podem subir até 2,24%, segundo o coeficiente de atualização legal. Em números práticos, quem pagava 1.000€ de aluguel, passará a pagar 1.022,40€ – um aumento de 22,40€ por mês.
Em cidades como Lisboa, onde um T1 no centro já custa em média 1.413€, o valor pode passar dos 1.444€. No Porto, o mesmo tipo de imóvel sai por cerca de 1.025€, e em Braga por 781€, também sujeitos ao reajuste.
Mesmo nos contratos antigos e em cidades menores, o aumento anual autorizado afeta diretamente a margem disponível para outros setores da vida, como alimentação, saúde ou lazer.
Energia, água e gás
O mercado regulado de eletricidade terá um aumento médio de 1%, já em vigor a partir de janeiro. Isso representa algo entre 0,20€ e 0,30€ mensais a mais, mas tende a pesar nos meses frios, com maior consumo. A conta de água, por sua vez, depende do município, mas segue uma tendência de subida em linha com a orientação da ERSAR, o órgão regulador do setor. Já o gás natural mantém o aumento de 2025, sem recuo previsto.
Considerando os valores médios de 2025, em que energia e gás custavam cerca de 80€ e a conta de água 30€, é razoável esperar gastos mensais em torno de 115€ a 120€ para um casal em 2026.
Supermercado
A previsão do setor é de que carne e peixe subam cerca de 7%. Se uma família gastava 400€ por mês em supermercado, esse valor pode ultrapassar os 430€ ainda no primeiro semestre. O pão, item simbólico no consumo diário, também terá aumento, embora mais moderado.
Para conter os gastos, a expectativa é que mais pessoas troquem marcas conhecidas por versões brancas, comprem menos variedade de produtos, passem a frequentar mercados de bairro ou feiras.
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Transportes e mobilidade
A CP (Comboios de Portugal) reajustará os bilhetes ocasionais em média em 2,26%. Em Lisboa e no Porto, as tarifas de bordo e bilhetes únicos também ficam mais caras, embora os passes mensais – que variam entre 30€ e 40€ – devam permanecer estáveis neste início de ano. As portagens, por sua vez, aumentam 2,29%, o que afeta diretamente quem depende do carro para trabalhar ou estudar, especialmente fora dos grandes centros.
Em 2025, o custo médio de transporte para um casal era de 80€ por mês usando passes. Com os aumentos nos bilhetes ocasionais e nas autoestradas, esse valor pode chegar facilmente aos 90€ ou mais, dependendo do perfil de deslocamento.
Telecomunicações
As operadoras de internet e telefone já anunciaram que os pacotes vão subir em 2026, acompanhando a inflação. Planos que custavam 50€ mensais podem passar para 51€ ou 52€. Como o serviço é essencial – inclusive para estudos e trabalho.
Também os serviços postais sobem: a atualização média será de 6,2%, impactando pequenos negócios, lojas online e entregas diretas.
Saúde
A única boa notícia é que os medicamentos até 30€ terão o preço mantido. Isso traz algum alívio para idosos e famílias com despesas regulares em farmácia. No entanto, os seguros e planos de saúde privados devem seguir o ritmo da inflação. Em 2025, um plano básico custava cerca de 60€ por mês para dois adultos – em 2026, esse valor pode se aproximar dos 65€.
E no fim das contas?
Somando isso tudo – ou seja, o aluguel, que varia entre 920€ e mais de 1.400€ dependendo da cidade; os gastos com supermercado, entre 430€ e 460€; as contas da casa (energia, água e gás), que ficam entre 115€ e 130€; o transporte, de 80€ a 100€; internet e telefone, entre 50€ e 55€; e ainda o lazer e os imprevistos, que demandam pelo menos 250€ por mês – o custo mensal estimado para um casal sem filhos em 2026 deve ficar entre 2.000€ e 2.500€.
Se for acrescido valor de mensalidades de escolas ou faculdades – chamadas de propinas em Portugal – o valor pode ficar ainda mais salgado.
nuno.tibirica@dn.pt