A ministra Saiz, que é também a porta-voz do executivo de coligação PSOE-Sumar, disse ainda que a regularização visa também os filhos menores dos migrantes e os refugiados. “Estamos a reforçar um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração e na convivência, compatível com o crescimento económico”, regozijou-se. A política resulta de uma iniciativa legislativa popular lançada em 2021 por 900 ONG. Foi aceite pelo Congresso dos Deputados em abril do ano passado, apenas com os votos contra do Vox, de extrema-direita.
Em maio, o Partido Popular, de centro-direita, criticou o governo por não aceitar as suas propostas de emendas. Agora os motivos de crítica mantêm-se, mas são também políticos. A porta-voz do PP no Parlamento Ester Muñoz disse que o seu partido continua a defender a posição de uma regularização “pessoa a pessoa” e que esta solução é um convite para “as máfias” façam tráfico de pessoas. Muñoz passou depois ao plano partidário, ao notar o “curioso” que é o momento em que o executivo pegou no projeto, depois de “19 meses na gaveta”. Para a deputada, é uma distração para “tentar encobrir” a pergunta do dia em Espanha — “É seguro apanhar um comboio?” —, tendo em conta os dois acidentes ocorridos na semana passada que fizeram 45 mortos e 120 feridos. “É tão frívolo como tudo o que faz o governo”, concluiu Muñoz.
Já o Vox, que surge nas sondagens como a força número um entre os jovens (18-29 anos) e tem a intenção de voto de 17,9% dos espanhóis, viu o seu líder, Santiago Abascal, acusar o primeiro-ministro Pedro Sánchez de “promover o efeito de chamada por decreto para acelerar a invasão”. Aproveitou ainda para disseminar a teoria da conspiração da substituição: “O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Quer substitui-lo”, disse no X. A mesma ideia foi defendida pelo secretário-geral do Vox. “Diante da impossibilidade de convencer os eleitores espanhóis, procuram substituí-los”, acusou Ignacio Garriga.
A resposta não tardou. “A direita que faça os malabarismos que quiser para justificar uma posição que é racista, em primeiro lugar, e que é classista, em segundo. Querem ter uma classe de trabalhadores sem direitos e a quem podem explorar”, afirmou Pablo Bustinduy, ministro dos Direitos Sociais.