Fabricantes de Baterias da China Valorizam com Impulso às Energias Limpas


Os principais fabricantes chineses de baterias somaram mais de 70.000 milhões de dólares (60.000 milhões de euros) em capitalização bolsista desde os ataques israelo-americanos ao Irão, refletindo expectativas de um impulso às energias limpas.

As ações da CATL, BYD e Sungrow, que produzem baterias e equipamentos de armazenamento de energia, superaram o desempenho de grandes petrolíferas como Chevron, ExxonMobil e BP desde o início do conflito.

A valorização das empresas de energia limpa ilustra como a China e outros países importadores de petróleo poderão responder à guerra reforçando o investimento em energias renováveis, com o objetivo de aumentar a segurança energética.

Citado pelo jornal britânico Financial Times, Neil Beveridge, responsável pela análise energética da Bernstein, considerou que a China, maior importador mundial de petróleo, deverá intensificar a estratégia de “eletrificar tudo”. Outras grandes economias asiáticas, como o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan, poderão seguir a mesma via.

“Isso altera completamente o paradigma energético”, afirmou o analista, acrescentando que “mesmo que a guerra termine no próximo mês, não há regresso ao ponto anterior”, disse.

Desde o final de fevereiro, quando foram lançados os ataques, as ações da CATL subiram 19%, as da Sungrow 19,4% e as da BYD, também líder mundial na produção de veículos elétricos, 21,9%.

Em comparação, a valorização foi de 15,2% para a BP, 8% para a Chevron, 8,3% para a Shell e 4,7% para a ExxonMobil, beneficiando estas petrolíferas de uma subida de 47% nos preços do petróleo no mesmo período.

As redes elétricas necessitam de baterias para armazenar energia, sobretudo à medida que aumenta a dependência de fontes renováveis, cuja produção é intermitente. Estes sistemas são também essenciais para suportar centros de dados com elevado consumo energético.

O mercado interno chinês de armazenamento de energia à escala de rede poderá atingir 199 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) até 2032, face a 48 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) no ano passado, segundo a consultora Mobility Foresights.

Li Shuo, diretor do China Climate Hub do Asia Society Policy Institute, sublinhou que os recentes ataques a infraestruturas de gás natural liquefeito no Golfo evidenciam os riscos inerentes à dependência de combustíveis fósseis.

“Os países do leste asiático mais dependentes de importações de GNL [gás natural liquefeito] enfrentarão em breve um choque económico incalculável, apesar da distância ao conflito”, afirmou, defendendo que os países em desenvolvimento devem investir fortemente em energias limpas e transportes para se protegerem de choques geopolíticos futuros.



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