A inflação em Espanha acelerou para 3,3% em março face ao mesmo mês de 2025, impulsionada sobretudo pela subida dos preços dos combustíveis, de acordo com uma estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada esta sexta-feira, 27. Em fevereiro, a taxa homóloga situara‑se em 2,3%.
A confirmar-se esta estimativa, a leitura de março representará a taxa mais elevada desde junho de 2024. Para além dos combustíveis, o INE aponta para contributos da subida do gasóleo para aquecimento de edifícios e de uma eletricidade que, embora tenha abrandado, desceu menos do que há um ano, o que limitou o efeito deflacionista deste componente.
A inflação subjacente — que exclui energia e produtos alimentares frescos — manteve‑se em 2,7% em março, nível idêntico ao de fevereiro, sugerindo pressões subjacentes persistentes na economia espanhola. Na variação mensal, os preços terão aumentado 1% em março, seis décimas acima do crescimento registado em fevereiro.
Perante a escalada dos preços energéticos associada ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, o Governo espanhol aprovou na semana passada um pacote de 80 medidas para atenuar o impacto nos consumidores e nas empresas. Entre as medidas mais relevantes estão a redução temporária do IVA sobre combustíveis, eletricidade e gás natural de 21% para 10%, descontos e apoios ao gasóleo para transportadores, agropecuária e pesca, e subsídios para a compra de fertilizantes.
O executivo introduziu também mecanismos de proteção social, com reforço dos apoios ao pagamento da eletricidade para famílias vulneráveis, e fixou um preço máximo para o gás butano e propano. No caso da eletricidade, a intervenção traduziu‑se numa redução de 60% dos impostos aplicáveis, enquanto no sector dos combustíveis o IVA foi reduzido para o mínimo permitido pelas normas europeias.
Num comunicado, o Ministério da Economia sublinhou que a maior penetração das energias renováveis e a menor dependência do petróleo ajudaram a mitigar a subida da inflação em março, e considerou que as medidas recentemente implementadas, já em vigor desde sábado, deverão impedir que os choques de preço decorrentes do conflito no Médio Oriente se transformem em aumentos permanentes da inflação e numa perda duradoura do poder de compra das famílias.