Jornada de trabalho: como países da América Latina estão reduzindo o tempo de serviço

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O movimento regional pela redução da jornada de trabalho

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganha força no Brasil, colocando o país diante de um debate que já é realidade em nações vizinhas. Enquanto o Brasil avalia mudanças legislativas, vizinhos como Colômbia, Chile e México já implementaram ou iniciaram processos de transição para diminuir o tempo de serviço semanal, alinhando-se a tendências globais de produtividade e bem-estar.

Este movimento na América Latina não é uniforme, sendo impulsionado por diferentes espectros políticos e contextos sociais. Enquanto em alguns países a medida surgiu como uma resposta estratégica para conter tensões populares, em outros, foi o resultado de uma agenda progressista consolidada. O cenário contrasta com a Argentina, sob a gestão de Javier Milei, que seguiu um caminho oposto ao permitir jornadas de até 12 horas diárias.

Colômbia: estratégia política e transição gradual

Na Colômbia, a transição de 48 para 42 horas semanais foi um processo iniciado em julho de 2021, sob a administração do então presidente Iván Duque. O projeto, articulado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, surpreendeu por partir de uma liderança da direita. Segundo o professor Sebastián Granda Henao, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a iniciativa funcionou como uma válvula de escape para apaziguar os ânimos após as intensas revoltas sociais de 2019.

A implementação ocorreu de forma escalonada, garantindo a manutenção dos salários. O professor José Dari Krein, da Unicamp, observa que a Colômbia era um caso atípico na região por manter o teto de 48 horas, enquanto o Brasil já havia estabelecido as 44 horas semanais na Constituição de 1988. A medida colombiana também buscou seguir diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que recomenda a redução para 40 horas semanais.

México: o impacto da força política do Morena

Diferente do caso colombiano, a redução da jornada no México, de 48 para 40 horas, foi consolidada pelo governo de esquerda de Claudia Sheinbaum em março de 2026. A sucessora de Andrés Manuel López Obrador aproveitou a ampla maioria parlamentar e sua alta popularidade para avançar na pauta. O professor Daniel Enrico Martuscelli, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), aponta que a fragilidade da oposição de direita permitiu que a reforma avançasse com resistência limitada do setor empresarial.

O cronograma mexicano prevê a aplicação gradual da nova carga horária a partir de janeiro de 2027, com o objetivo de atingir o patamar de 40 horas semanais até 2030. A medida é vista como um pilar central da agenda de reformas do partido Morena, que busca consolidar novos direitos trabalhistas em um país que passou décadas sob governos de direita.

Perspectivas e o debate no Brasil

A experiência desses países demonstra que a redução da jornada de trabalho é um tema que atravessa diferentes ideologias, embora com motivações distintas. Enquanto a Colômbia utilizou a reforma como um instrumento de estabilização política, o México a adotou como parte de um projeto de transformação social. O Brasil observa esses modelos enquanto articula sua própria comissão especial para debater a PEC da redução da jornada.

Acompanhar esses desdobramentos é fundamental para entender o futuro das relações laborais no continente. O Mais 1 Portugal segue atento aos impactos dessas mudanças na economia e na vida dos trabalhadores, trazendo sempre uma análise contextualizada e aprofundada sobre os fatos que moldam a nossa sociedade. Continue conosco para mais informações de qualidade e uma cobertura jornalística comprometida com a realidade atual.

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