Ministério Público arquiva inquéritos sobre mortes durante greve do INEM

Ministério Público arquiva inquéritos sobre mortes durante greve do INEM

O desfecho das investigações sobre o socorro pré-hospitalar

O Ministério Público encerrou todos os seis processos de inquérito instaurados para investigar mortes suspeitas ocorridas por alegada falta de socorro durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM. As paralisações, que afetaram as horas extraordinárias entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, geraram uma onda de indignação pública e levaram as autoridades judiciárias e a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) a apurar possíveis responsabilidades criminais e administrativas.

A decisão de arquivamento, confirmada pela Procuradoria-Geral da República, marca o fim de um ciclo de incertezas que durou cerca de um ano e cinco meses. Embora a IGAS tenha chegado a identificar falhas em dois casos específicos — nas localidades de Ansião e Bragança —, sugerindo que o desfecho fatal poderia ter sido evitado com uma resposta mais célere, o Ministério Público concluiu que não existem indícios robustos que estabeleçam um nexo de causalidade direto entre o atraso no atendimento e a morte dos utentes.

A complexidade técnica e o nexo de causalidade

No caso emblemático de Ansião, que envolveu o falecimento de um homem de 53 anos, a justiça fundamentou o arquivamento na imprevisibilidade clínica inerente a um enfarte agudo do miocárdio. Segundo o despacho, a variabilidade do prognóstico da patologia torna impossível afirmar, com a segurança exigida pelo Direito Penal, que uma intervenção imediata teria revertido o quadro de paragem cardiorrespiratória. A defesa da família, contudo, já manifestou a intenção de requerer a abertura de instrução, contestando a conclusão das autoridades.

Situação semelhante ocorreu em outros pontos do país, como Almada, Tondela e Vendas Novas. Em todos estes episódios, tanto a IGAS quanto o Ministério Público entenderam que, devido à gravidade dos quadros clínicos prévios ou à irreversibilidade das lesões, as probabilidades de sobrevivência eram nulas ou extremamente limitadas, independentemente da celeridade do socorro prestado.

Impacto político e a comissão parlamentar

O encerramento dos inquéritos judiciais não esgota o debate sobre a gestão da crise no Instituto Nacional de Emergência Médica. O episódio ganhou contornos políticos significativos após a revelação de que o pré-aviso de greve foi enviado para a secretaria de Estado incorreta, falha que está a ser escrutinada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O caso, que pode ser consultado em detalhes através da cobertura do Diário de Notícias, continua a suscitar questões sobre a coordenação entre o Ministério da Saúde e as entidades operacionais.

A CPI, que já ouviu governantes, o ex-diretor do INEM e representantes sindicais, mantém os trabalhos ativos. A expectativa é que as próximas sessões, agendadas para maio, tragam novos elementos sobre a comunicação interna do governo e a preparação do sistema de emergência para períodos de greve. Enquanto a justiça encerra o capítulo criminal, a esfera política permanece sob pressão para garantir que falhas de comunicação não voltem a comprometer a segurança dos cidadãos.

O Mais 1 Portugal continuará a acompanhar de perto os desdobramentos desta comissão e as repercussões nas políticas de saúde pública. Convidamos os nossos leitores a manterem-se informados através do nosso portal, onde a atualidade é tratada com o rigor e a profundidade que o seu dia a dia exige.

Mais Lidas

Veja também