Uma trégua unilateral de 48 horas, declarada pelo governo russo, entrou em vigor nesta sexta-feira para marcar as celebrações do 81.º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazi. O anúncio, feito pelo Kremlin, estabelece a suspensão de todas as ações militares, incluindo ataques com mísseis, artilharia e drones contra infraestruturas ucranianas, estendendo-se até o final das comemorações no sábado.
Contexto da trégua e medidas de segurança em Moscovo
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que o cessar-fogo começou às 00:00 de sexta-feira, horário de Moscovo. A medida visa garantir a tranquilidade durante os eventos oficiais do Dia da Vitória. Em paralelo, o Kremlin reforçou significativamente o protocolo de segurança em torno do presidente Vladimir Putin, que receberá o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, durante o período.
Apesar da relevância histórica da data, o desfile militar na Praça Vermelha contará com uma presença internacional restrita. Apenas os presidentes da Bielorrússia, Malásia e Laos confirmaram participação, sinalizando o isolamento diplomático de Moscovo em diversos fóruns globais. O primeiro-ministro eslovaco, embora presente na Rússia, optou por não integrar o desfile militar.
Ameaças e a resposta da Ucrânia
Apesar da promessa de suspensão das hostilidades, o clima permanece de alta tensão. O Ministério da Defesa russo emitiu um alerta severo, ameaçando realizar ataques maciços contra o centro de Kiev caso a Ucrânia tente interromper as celebrações em Moscovo. O governo russo chegou a recomendar que diplomatas e civis abandonassem a capital ucraniana, uma orientação que foi prontamente ignorada pelas delegações europeias presentes na cidade.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky adotou uma postura cautelosa. Em seu pronunciamento diário, o líder ucraniano afirmou que a Ucrânia retribuirá a trégua, abstendo-se de lançar ataques de longo alcance contra a Rússia, desde que Moscovo respeite integralmente o cessar-fogo. Zelensky classificou essas ações como “sanções de longo alcance”, comparando o impacto estratégico aos embargos econômicos que afetam a indústria petrolífera russa.
Diplomacia e o impasse do conflito
O cenário de incerteza é agravado pelo histórico recente de violações em cessar-fogos anteriores, como o ocorrido durante a Páscoa Ortodoxa. As negociações de paz, que contam com a mediação indireta dos Estados Unidos, permanecem estagnadas. Rustem Umerov, negociador ucraniano, viajou para a Flórida, nos Estados Unidos, na tentativa de reativar contatos e discutir questões de segurança e trocas de prisioneiros.
A guerra na Ucrânia, que agora divide as atenções internacionais com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, parece longe de uma resolução definitiva. A última ronda trilateral, realizada em Genebra, terminou sem avanços significativos, mantendo o impasse sobre o futuro das regiões disputadas no leste ucraniano e as garantias de segurança para Kiev. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias internacionais, continue acompanhando o Mais 1 Portugal, seu portal de referência para informação atualizada e contextualizada.
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