Tenerife se prepara para desembarque de cruzeiro com surto de hantavírus

Tenerife se prepara para desembarque de cruzeiro com surto de hantavírus

A ilha de Tenerife, nas Canárias, prepara-se para uma complexa operação de desembarque do cruzeiro MV Hondius, onde foi detectado um surto de hantavírus. A chegada da embarcação está prevista para a madrugada de domingo, entre 04h00 e 06h00 locais, no porto de Granadilla. A situação mobiliza autoridades espanholas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que coordenam esforços para garantir a segurança dos passageiros, tripulantes e da população local.

A operação ganha destaque com a presença do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Espanha, que se juntou a altos funcionários do governo para supervisionar o processo. A prioridade é realizar o desembarque de forma rápida e segura, minimizando qualquer risco de propagação do vírus.

Chegada do MV Hondius a Tenerife e a mobilização internacional

O MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico, tem sua chegada a Tenerife aguardada com um plano de contingência robusto. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou sua presença em Espanha neste sábado, 9 de maio de 2026, para acompanhar de perto a missão em Tenerife. Em uma publicação nas redes sociais, ele informou estar em contato direto com o capitão do navio, Jan Dobrogowski, e com o médico da OMS, Freddy Banza-Mutoka, que asseguraram não haver mais pessoas a bordo apresentando sintomas de hantavírus nesta fase.

A coordenação entre as administrações, o controle sanitário e a aplicação dos protocolos de vigilância são pontos cruciais, conforme fontes do Executivo madrileno. A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, também estão envolvidos na supervisão da operação, demonstrando a seriedade com que a situação é tratada em nível governamental.

Protocolo de segurança rigoroso para o desembarque em Tenerife

O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, garantiu que o MV Hondius permanecerá em águas espanholas apenas pelo tempo “mínimo”, “essencial” e “necessário” para o desembarque. Para assegurar a máxima segurança, será imposta uma proibição de navegação em um raio de uma milha náutica do local de ancoragem do navio, bem como no interior do porto de Granadilla.

O desembarque será realizado em grupos, organizados por nacionalidade dos passageiros, à medida que os voos de repatriamento estiverem disponíveis. Voos já foram programados para países como França, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Países Baixos, Reino Unido e Estados Unidos. Os 14 cidadãos espanhóis a bordo serão os primeiros a desembarcar e cumprirão um período de quarentena em um hospital em Madri.

A operação é conduzida de forma “isolada”, sem qualquer contato ou risco para a população local, conforme reiterado pelo ministro. Após a retirada dos passageiros e o repatriamento dos cidadãos estrangeiros, o navio seguirá viagem para os Países Baixos, com 30 tripulantes permanecendo a bordo para a viagem. A OMS continua a monitorar ativamente a situação e a coordenar o apoio internacional, mantendo os Estados-membros e o público informados.

Hantavírus Andes: casos confirmados e avaliação de risco

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que, até 8 de maio de 2026, foram notificados oito casos suspeitos de hantavírus, dos quais seis foram confirmados em laboratório como infecções pelo vírus Andes. Destes, três resultaram em óbito, elevando a taxa de letalidade para 38%. O vírus Andes é particularmente notável por ser uma das raras variantes do hantavírus que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, além da forma mais comum de transmissão por roedores.

Apesar da gravidade do vírus, a OMS enfatiza que o risco para a população das Ilhas Canárias e em nível global permanece baixo. O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em declarações em Genebra, afirmou que “este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa infectada. O risco para a população em geral é extremamente fraco”. Ele exemplificou que pessoas em cabines adjacentes às de infectados não contraíram o vírus, reforçando que “um contato estreito significa estar praticamente cara a cara (…) Isto não é um novo covid”.

Essa distinção é crucial para evitar pânico. Embora o hantavírus Andes exija vigilância, sua dinâmica de transmissão difere significativamente de patógenos de alta transmissibilidade aérea, como o coronavírus, que causou a pandemia de COVID-19. A OMS garante que o monitoramento é constante e as medidas de contenção estão sendo aplicadas rigorosamente.

Próximos passos e monitoramento contínuo da situação

Com a operação de desembarque em andamento, as autoridades espanholas e a OMS manterão a vigilância sobre a situação. A avaliação dos passageiros para verificar a ausência de sintomas antes do desembarque é um passo fundamental no protocolo. A colaboração internacional é vital para gerenciar crises de saúde pública em ambientes como cruzeiros, que reúnem pessoas de diversas nacionalidades.

A experiência adquirida com este incidente pode servir de aprendizado para futuros protocolos de saúde em viagens marítimas. Em Portugal, por exemplo, especialistas como Filipe Froes já debateram a capacidade de portos como os da Madeira e Açores para atracar navios em situações semelhantes, evidenciando a relevância regional do tema. O Mais 1 Portugal continuará acompanhando os desdobramentos desta notícia, trazendo as informações mais recentes e contextualizadas para nossos leitores.

Mais Lidas

Veja também