Tenerife mobiliza-se para desembarque de cruzeiro MV Hondius após surto de hantavírus

Tenerife mobiliza-se para desembarque de cruzeiro MV Hondius após surto de hantavírus

A ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, tornou-se o epicentro de uma complexa operação de saúde e logística com a chegada do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que registrou um surto de hantavírus a bordo, atracou no porto de Granadilla de Abona às 06h30 (hora local e de Lisboa), iniciando um processo meticuloso de desembarque e repatriamento de seus passageiros. Embora nenhum dos viajantes apresentasse sintomas da doença no momento da chegada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou todos a bordo como “contatos de alto risco”, exigindo um acompanhamento rigoroso por 42 dias.

A Chegada do MV Hondius e a Operação de Segurança

A entrada do MV Hondius no porto foi marcada por um protocolo de segurança sanitária rigoroso. O navio permaneceu ancorado, e não atracado diretamente ao cais, uma medida preventiva essencial para evitar qualquer risco de contaminação em terra. A manobra de entrada e ancoragem foi assistida por uma lancha do porto e um rebocador, garantindo a segurança da operação. A decisão de permitir a entrada do navio, inicialmente contestada pelo Governo das Canárias e pela Autoridade Portuária de Tenerife, foi imposta por uma resolução da Direção-Geral da Marinha Mercante.

A diretora-geral, Ana Núñez Velasco, justificou a medida pela combinação de um risco de segurança marítima e a “necessidade de assistência médica a bordo”, em coordenação com diversas entidades estatais. O primeiro ponto da resolução impôs o acolhimento do navio, seja por ancoragem controlada ou atracação direta, dependendo da decisão das autoridades responsáveis pela operação sanitária.

O Desafio Logístico do Repatriamento Internacional

Com a luz do sol, teve início a fase mais delicada da operação: o desembarque dos passageiros e seu transporte para o aeroporto de Tenerife Sul, localizado a apenas 10 quilômetros do porto. Mais de 100 pessoas, de diversas nacionalidades, aguardavam para serem repatriadas. Os primeiros a deixar o navio foram os 14 cidadãos espanhóis, que foram recebidos por um avião militar espanhol diretamente na pista do aeroporto. Dali, seguiram para Madrid, onde cumprirão quarentena no Hospital Gómez Ulla.

Após o grupo espanhol, o desembarque prosseguiu por nacionalidades, em grupos de cinco pessoas, uma estratégia para otimizar o fluxo e o controle sanitário. A maioria dos aviões destinados ao transporte dos passageiros para seus países de origem já se encontrava na ilha, com exceção de duas aeronaves que chegariam ao longo do domingo. A complexidade da operação, que se estenderia até segunda-feira, gerou descontentamento no Governo das Canárias, cujo presidente, Fernando Clavijo, afirmou que o acordo inicial previa que todo o processo fosse concluído em 12 horas, até o final da tarde de domingo.

Hantavírus: Entenda a Doença e o Alerta da OMS

O hantavírus é uma doença zoonótica transmitida principalmente por roedores, que liberam o vírus através de sua urina, fezes e saliva. A infecção em humanos ocorre geralmente pela inalação de aerossóis contaminados. Os sintomas podem variar de febre, dores musculares e fadiga a problemas respiratórios graves, como a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), que pode ser fatal. A gravidade da doença e a ocorrência de três mortes ligadas ao surto no MV Hondius levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a um posicionamento cauteloso.

A organização elevou para seis o número de casos confirmados de hantavírus associados ao navio. Apesar disso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente na ilha espanhola, fez questão de afastar o cenário de uma “nova covid”, sublinhando que o “risco atual para a saúde pública” permanece “baixo”. Essa declaração visa tranquilizar a população e as autoridades, enquanto se mantém a vigilância. A recomendação de 42 dias de acompanhamento para todos os “contatos de alto risco” reflete a janela de incubação e a necessidade de monitoramento contínuo para detecção precoce de qualquer sintoma.

O Futuro da Tripulação e a Resposta Coordenada

Enquanto os passageiros eram repatriados, 43 membros da tripulação permaneceriam a bordo do MV Hondius. A previsão é que eles sigam viagem na segunda-feira em direção aos Países Baixos, país onde o navio está registrado e onde se localiza o armador. A coordenação entre diferentes níveis de governo e organizações internacionais, como a OMS, demonstra a complexidade e a importância de uma resposta integrada a crises de saúde pública em contextos de transporte marítimo internacional. A situação em Tenerife serve como um lembrete da constante necessidade de protocolos robustos e cooperação global para gerenciar riscos sanitários em um mundo cada vez mais conectado.

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