Francesca Bria alerta para o controle dos media por oligarcas da tecnologia

Francesca Bria alerta para o controle dos media por oligarcas da tecnologia

O impacto da concentração de poder na comunicação social

A economista Francesca Bria, reconhecida internacionalmente por sua atuação em inovação e soberania digital, lançou um alerta contundente sobre o estado atual da democracia global. Em entrevista recente, a professora da UCL e conselheira da ONU e da UE afirmou que a comunicação social enfrenta um ataque sem precedentes, impulsionado por uma crescente concentração de poder nas mãos de poucos bilionários do setor tecnológico.

Para Bria, os chamados “oligarcas da tecnologia” não estão apenas influenciando o mercado, mas controlando ativamente os meios de comunicação. Ela cita como exemplo a influência de figuras como David Ellison, que, à frente da Skydance Media e da Paramount, exemplifica a fusão entre o capital tecnológico e a gestão de grandes veículos de informação. Segundo a economista, esse cenário coloca em risco a capacidade de jornalistas produzirem conteúdo verificado e independente, essencial para desafiar o poder estabelecido.

Ameaças à integridade do jornalismo e o papel da inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial (IA) surge, neste contexto, como um fator de risco adicional para a profissão jornalística. A economista destaca que a proliferação de fake news e deepfakes, gerados por sistemas automatizados sem a devida remuneração aos profissionais do setor, fragiliza a sustentabilidade econômica dos media democráticos. “Quem vai pagar aos jornalistas? Esta é uma profissão que está em risco”, questiona.

A especialista reforça que o valor do jornalismo reside na apuração em campo, no contato direto com fontes e na capacidade de análise crítica. Ela recorda o conceito do “quarto poder” para enfatizar que, sem uma imprensa independente e capaz de exercer o pensamento crítico, a própria estrutura democrática fica vulnerável a manipulações e ao medo, ferramentas frequentemente utilizadas por movimentos de extrema-direita para ganhar tração política.

Guerra automatizada e a necessidade de regulação global

Além do controle dos media, Francesca Bria manifesta profunda preocupação com o desenvolvimento de armas baseadas em IA. A economista traça um paralelo histórico com a criação da bomba atômica, defendendo que o mundo precisa urgentemente de uma diplomacia científica robusta para evitar a proliferação de sistemas de guerra automatizados. Ela critica a falta de transparência e de prestação de contas no uso dessas tecnologias em conflitos atuais.

A conselheira da UE argumenta que a Europa possui uma oportunidade única de liderar o desenvolvimento de uma tecnologia ética, alinhada aos padrões democráticos e aos direitos humanos. Para ela, os dados devem ser tratados como um bem público, comparáveis a recursos essenciais como a água ou a eletricidade, e não como ativos privados entregues a bilionários para que estes decidam os rumos da política internacional.

Soberania digital como pilar da democracia

O embate entre a soberania europeia e o poder das gigantes tecnológicas é, para Bria, a questão fundamental da vida política contemporânea. Ela alerta que a interferência desses atores em processos eleitorais, como observado nos Estados Unidos e em movimentos na Hungria, demonstra que a “oligarquia tecnológica” já exerce um poder político real que transcende fronteiras nacionais.

A economista defende que a solução passa pela criação de infraestruturas digitais públicas e pela proteção rigorosa da privacidade, como preconiza o RGPD. O objetivo, segundo ela, é garantir que os cidadãos mantenham o controle sobre suas próprias informações, evitando a dependência de modelos de negócio que priorizam o lucro de poucos em detrimento do interesse coletivo. Para mais análises sobre os desafios da era digital e o impacto da tecnologia na sociedade, continue acompanhando o Mais 1 Portugal.

Saiba mais sobre a iniciativa liderada pela economista em EuroStack.

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