A complexa operação de evacuação dos passageiros e tripulantes do navio MV Hondius teve início neste domingo (10) em Tenerife, nas Ilhas Canárias. A medida ocorre quase um mês após a detecção de um surto de hantavírus a bordo, que resultou na morte de três pessoas e mobilizou autoridades de saúde e militares de diversos países. A embarcação, que se tornou foco de atenção internacional, está atracada no porto de Granadilla, de onde os primeiros grupos começaram a ser repatriados sob rigorosas condições de segurança.
O incidente no MV Hondius reacende o debate sobre a gestão de crises sanitárias em ambientes confinados como navios de cruzeiro e expedição, exigindo uma coordenação sem precedentes entre nações e organismos internacionais para garantir a segurança pública e a saúde dos envolvidos.
Repatriação em meio a rigorosas medidas de segurança
Os primeiros a deixar o navio foram 14 espanhóis, sendo 13 passageiros e um membro da tripulação, por volta das 5h30 (horário de Brasília) deste domingo. A operação contou com a participação de mais de 30 profissionais da Unidade Militar de Emergências (UME) do Ministério da Defesa espanhol, que adotaram todas as medidas de segurança necessárias, incluindo o uso obrigatório de trajes de proteção especiais pelos passageiros.
Do porto de Granadilla, os espanhóis foram transportados para o Aeroporto de Tenerife Sul e, em seguida, em um avião militar, seguiram para a Base Aérea de Torrejón de Madri. Lá, foram imediatamente internados no Hospital Gómez Ulla para acompanhamento médico e quarentena. Na sequência, um grupo de cinco franceses também foi evacuado, sob os mesmos cuidados. Durante o voo para Paris, um deles, que até então estava assintomático, começou a manifestar sintomas relacionados ao hantavírus, conforme relatado pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
O desafio logístico da evacuação internacional
A empresa turística holandesa Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro, informou que o MV Hondius transportava 102 passageiros e 47 tripulantes de diversas nacionalidades. A sequência de desembarque está sendo meticulosamente coordenada de acordo com a chegada dos voos de repatriação, transformando a operação em um complexo quebra-cabeça logístico internacional. A retirada de todos a bordo está sendo realizada com o auxílio de lanchas, seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Cada passageiro e tripulante deverá ser transportado o mais rapidamente possível por via aérea para seu país de origem, onde cumprirá um período de quarentena. As autoridades responsáveis estimam que a evacuação se estenda até a tarde de segunda-feira (11). Após o desembarque de todos os passageiros e de parte da tripulação – cerca de 30 membros devem permanecer a bordo –, o navio será reabastecido e receberá os suprimentos necessários para seguir viagem até o porto de Rotterdam, na Holanda, em uma jornada estimada em cinco dias.
Hantavírus: a doença, sua transmissão e os riscos
O hantavírus é uma doença grave, geralmente transmitida por roedores, como ratos, através do contato com suas fezes, urina ou saliva. A OMS esclarece que, em casos raros, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa, mas apenas por meio de contato muito próximo com saliva ou secreções respiratórias de indivíduos infectados. Os sintomas iniciais incluem febre e dores pelo corpo, podendo evoluir para dificuldade respiratória e cansaço excessivo, características da cepa andina do vírus, considerada particularmente severa.
Até a manhã deste domingo, a OMS confirmou seis casos de hantavírus entre os viajantes do MV Hondius, incluindo as três vítimas fatais, e outros dois casos suspeitos estão sob análise. A cronologia dos óbitos revela a gravidade da situação: um passageiro holandês faleceu a bordo em 1º de abril, sua esposa, também holandesa, morreu em 27 de abril na ilha britânica de Santa Helena, e um terceiro passageiro, alemão, veio a óbito a bordo em 2 de maio.
Repercussão local e a tranquilidade da OMS
A chegada do MV Hondius a Tenerife gerou apreensão na população local e entre as autoridades. O presidente da comunidade de Tenerife, Fernando Clavijo, liderou uma campanha para que o navio fosse proibido de atracar na ilha, temendo a disseminação do vírus. Contudo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, buscou minimizar os riscos para os moradores da ilha.
Em uma mensagem direta à população, Adhanom afirmou que o risco de contaminação para quem vive normalmente em Tenerife é baixo, mesmo com a passagem de pessoas infectadas. Ele enfatizou que a cepa andina do hantavírus é grave e lamentou as perdas, mas garantiu que a OMS não está sendo “leviana” em sua avaliação. “Neste momento, não há passageiros sintomáticos a bordo. Um especialista da OMS está no navio. Os suprimentos médicos estão disponíveis. As autoridades espanholas prepararam um plano cuidadoso e passo a passo”, assegurou o diretor-geral da organização. Para mais informações sobre o surto e as ações da OMS, clique aqui.
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