Justiça determina nova paralisação das obras na Barragem do Pisão, no Crato

Justiça determina nova paralisação das obras na Barragem do Pisão, no Crato

As obras de construção da Barragem do Pisão, localizadas no concelho do Crato, distrito de Portalegre, enfrentam um novo entrave jurídico. Uma decisão recente do Tribunal Central Administrativo Sul (TCAS) determinou a suspensão dos trabalhos, acolhendo um recurso interposto por quatro associações ambientalistas que contestam o licenciamento e o impacto da infraestrutura na região.

barragem: cenário e impactos

Contexto da nova suspensão judicial

O impasse jurídico ganhou um novo capítulo após o TCAS revogar uma decisão anterior do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco (TAFCB). Na prática, a medida reativa a suspensão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), documento fundamental que autoriza a execução do projeto. Com a reversão da decisão de primeira instância, os trabalhos no terreno foram interrompidos imediatamente.

Hélder Careto, representante do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), confirmou que as atividades no local cessaram. Para as associações ambientalistas, o foco agora é obter uma decisão definitiva sobre a nulidade da DIA, argumentando que o projeto pode trazer danos irreversíveis ao ecossistema local.

Argumentos da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo

A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), entidade responsável pela gestão do projeto, reagiu à decisão reforçando que o acórdão do tribunal possui natureza estritamente processual. Segundo a autarquia, os juízes não emitiram qualquer juízo de valor sobre a qualidade técnica, ambiental ou a legalidade do mérito da obra.

A CIMAA esclareceu que o tribunal apontou apenas uma questão de forma sobre o modo como as associações apresentaram o pedido inicial. O processo retornará agora ao TAFCB para uma nova apreciação, onde a entidade espera que o mérito do projeto — considerado estratégico para o desenvolvimento regional — seja finalmente validado sem novos percalços burocráticos.

Impacto social e resiliência hídrica

Para a região do Alto Alentejo, a paralisação é vista como um revés doloroso. A barragem é projetada como um pilar central para a resiliência hídrica de Portalegre, num cenário de alterações climáticas que afetam severamente a agricultura local. O projeto, com um investimento superior a 220 milhões de euros, é financiado pelo programa Sustentável 2030, com apoio do Fundo de Coesão da União Europeia.

Além de garantir o abastecimento público de água potável, a infraestrutura prevê a criação de zonas de regadio e a exploração de energia renovável. A construção implica a submersão da aldeia de Pisão, um ponto que gera sensibilidade social e que tem sido acompanhado de perto pelas autoridades locais, que defendem a obra como essencial para fixar jovens e garantir a sustentabilidade econômica das famílias da região.

O caso segue em tramitação judicial, aguardando que o tribunal de primeira instância analise o mérito da causa. Enquanto isso, o futuro da obra permanece incerto, mantendo em suspenso a expectativa de agricultores e moradores que dependem da conclusão do projeto para o desenvolvimento do território.

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