Cabelo após a quimioterapia: mitos, verdades e caminhos para a recuperação

Cabelo após a quimioterapia: mitos, verdades e caminhos para a recuperação

Ao detectar algo estranho nos seios durante o autoexame, a mulher começa a sentir medo. Com a confirmação do diagnóstico de câncer de mama, muitas vezes esse medo se transforma em pavor. Nos próximos três anos, são esperados 80 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer e do Ministério da Saúde.

A partir do diagnóstico, começa uma batalha árdua contra a doença. Felizmente, na maioria das vezes, a depender do estágio do tumor, da precocidade do diagnóstico e do início do tratamento, essa luta será vencida. Mas o processo não é nada simples. Antes mesmo de começar o tratamento, que pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, muitas mulheres têm duas preocupações principais: as chances de vencer a doença e o receio de perder os cabelos.

A touca de resfriamento e seus limites na quimioterapia

Nos últimos quatro anos, o Instituto do Cabelo atendeu 1.294 pacientes com alopecia pós-quimioterapia. São pacientes que buscam atendimento com o médico tricologista pouco depois do diagnóstico. Esse trabalho começa com o acolhimento e a orientação sobre o caminho da recuperação capilar após a intervenção médica.

A primeira dúvida das pacientes é sobre a eficácia da touca térmica de resfriamento durante as sessões. Vale ressaltar que esse procedimento não é oferecido de forma universal pelo SUS. Está disponível principalmente em hospitais e clínicas da rede privada, com custos adicionais. Outro ponto fundamental é a segurança: a técnica não deve ser reproduzida de forma caseira, devido ao alto risco de queimaduras pelo frio.

A experiência médica mostra que, embora o couro cabeludo responda ao procedimento, cerca de 70% das pacientes que usam essa tecnologia conservam, no máximo, pouco mais da metade dos cabelos que tinham antes do câncer. Esse resultado parcial não atende às expectativas e pode resultar no abandono do protocolo estético, embora existam alternativas de suporte.

O que esperar da recuperação dos fios após o tratamento

Em sessões que podem se estender por até 12 meses, são tratadas doenças primárias do couro cabeludo, inflamações ou lesões que possam retardar o crescimento do cabelo. Esses protocolos também podem incluir suplementos vitamínicos, mas apenas quando houver real necessidade de reposição.

De forma geral, os resultados têm sido expressivos. O cabelo, que normalmente cresce cerca de 1,2 centímetro por mês, chega a uma velocidade de reposição de 1,7 centímetro mensal, mantendo saúde, boa espessura e qualidade estética adequada.

Mitos comuns sobre o crescimento capilar pós-quimioterapia

Há casos em que, a depender dos quimioterápicos usados, os cabelos podem não voltar ou sofrer modificações de cor, textura, espessura e até de forma. Nos tratamentos com radioterapia no couro cabeludo, quando há metástases, pode ocorrer lesão irreversível dos bulbos capilares, levando à calvície definitiva.

Existe o mito popular de que, após a quimioterapia, os cabelos nascem mais fortes, mas, infelizmente, isso não acontece na maioria das vezes. A mulher que enfrenta o câncer de mama lida com diversos medos e dores, incluindo o forte impacto na feminilidade após cirurgias necessárias.

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