O preço de uma botija de gás butano de 13 quilos, amplamente utilizada nos lares portugueses, poderá atingir os 40 euros até ao final do ano. O alerta foi emitido pela Deco Proteste, que aponta a forte pressão sobre os preços da energia como o principal motor desta subida expressiva no mercado nacional.
Em comunicado oficial divulgado pela organização de defesa do consumidor, o valor médio da botija superou a fasquia de 37,50 euros em outubro. Para efeito de comparação, o ano tinha começado com um preço médio de 34,11 euros, registando 37,31 euros já no mês de maio, conforme os dados disponibilizados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
Impacto direto nas famílias e dependência energética
Estima-se que cerca de 2,1 milhões de lares em Portugal continuem a depender do gás engarrafado para suprir necessidades básicas do dia a dia, como cozinhar alimentos e aquecer a água sanitária. Para estas famílias, a sucessiva escalada de preços representa um encargo orçamental cada vez mais difícil de gerir no quotidiano.
A instabilidade geopolítica internacional tem funcionado como um acelerador para a volatilidade dos mercados energéticos globais. Fatores como os custos operacionais de produção, a logística de transporte e distribuição, somados às oscilações das cotações internacionais dos produtos petrolíferos, condicionam fortemente o preço final praticado no mercado português.
Desfasamento temporal e reflexo nos mercados grossistas
A associação de defesa do consumidor esclarece que existe um desfasamento temporal de aproximadamente dois meses entre a variação real da matéria-prima nos mercados grossistas e o momento em que o consumidor final adquire o produto no ponto de venda.
- Variação inicial nos mercados internacionais de energia
- Reflexo gradual na cadeia de distribuição e transporte
- Desfasamento de cerca de dois meses até ao consumidor
- Impacto final no preço médio praticado no final do ano
Devido a esta dinâmica setorial, a entidade antecipa que as recentes subidas registadas no mercado grossista de energia acabem por se traduzir de forma inevitável em novos agravamentos tarifários nos meses seguintes.
Reivindicações fiscais e proposta de redução do iva
Diante deste cenário de encarecimento contínuo, a organização reitera a exigência de aplicação da taxa reduzida de IVA de 6% tanto ao gás engarrafado quanto ao canalizado. Atualmente, o butano e o propano em botija continuam a suportar a taxa máxima de 23%, uma carga tributária considerada excessiva e penalizadora.
Segundo as contas apresentadas, numa botija comercializada a 40 euros, a descida do imposto para o escalão mínimo geraria uma poupança direta de cerca de 5,53 euros para o orçamento familiar, desde que o alívio fiscal fosse integralmente repassado ao consumidor. A associação lamenta também a ausência de mecanismos regulatórios para mitigar o impacto do imposto sobre produtos petrolíferos neste setor específico.
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