Polícia prende Luisa González, ex-candidata presidencial equatoriana, em investigação de lavagem

Polícia prende Luisa González, ex-candidata presidencial equatoriana, em investigação de lavagem

A ex-candidata à Presidência do Equador Luisa González, figura de destaque e aliada do ex-presidente Rafael Correa, foi detida durante a madrugada em uma operação realizada na localidade de Canuto, situada na província equatoriana de Manabí. A ação policial e judicial busca aprofundar as investigações em torno de supostas irregularidades financeiras ligadas à campanha eleitoral que movimentou o país sul-americano.

Com 48 anos de idade, a política consolidou-se como um dos principais nomes da oposição e da esquerda no cenário nacional equatoriano. Ela representou o movimento político Revolução Cidadã nas disputas presidenciais recentes, enfrentando o atual mandatário Daniel Noboa nos pleitos de 2023 e de 2025. A medida cautelar adotada contra ela impacta diretamente a estrutura e a articulação do grupo político liderado por Correa.

Investigações sobre financiamento de campanha

A ofensiva das autoridades faz parte do processo batizado de caso Laberinto, conduzido pela Procuradoria-Geral do Equador. De acordo com os órgãos de persecução penal, o objetivo central é esclarecer a origem dos recursos utilizados no custeio das atividades eleitorais e nos investimentos publicitários realizados durante a disputa de 2023, além de apurar o envolvimento de sete investigados.

Durante a deflagração da operação policial, múltiplos mandados judiciais de detenção foram cumpridos em diferentes regiões estratégicas do país, abrangendo tanto a província de Manabí quanto a província de Pichincha. A movimentação processual visa garantir a apresentação formal das acusações perante o poder judiciário local.

Apuração sobre recursos externos

Paralelamente às investigações correntes, o Ministério Público equatoriano acompanha desdobramentos vinculados a outra frente de apuração, conhecida como caso Caja Chica. Neste inquérito específico, analisam-se indícios sobre a possível entrada de numerário em espécie oriundo da Venezuela para injetar recursos na estrutura de campanha presidencial do ano de 2023.

Mesmo diante de diligências e buscas domiciliares realizadas anteriormente pela promotoria na residência da política, os investigadores ainda não estabeleceram formalmente um nexo jurídico definitivo entre as duas investigações em andamento. Representantes do governo venezuelano não tiveram ligações diretas comprovadas pelas autoridades judiciais no esquema sob análise.

Repercussão política e defesa

A detenção gerou forte reação no espectro político nacional, com manifestações públicas de repúdio emitidas por lideranças partidárias e pelo próprio ex-presidente Rafael Correa por meio de plataformas digitais, onde criticou duramente a medida judicial adotada contra sua aliada política.

Por sua vez, a defesa da investigada e a própria Luisa González têm negado veementemente a prática de qualquer ilicitude. A defesa sustenta que toda a prestação de contas referente ao pleito de 2023 foi devidamente submetida aos órgãos de controle eleitoral e argumenta que as acusações carecem de sustentação probatória concreta neste estágio processual.

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