Roger Waters aponta insurreição na Europa e defende causa palestiniana em Portugal

Roger Waters aponta insurreição na Europa e defende causa palestiniana em Portugal

O músico britânico Roger Waters afirmou recentemente que a vaga de contestação social na Europa deixa o continente numa situação de insurreição contra a elite política no poder. Em entrevista conjunta à Lusa ao lado da artista palestiniana Mona Miari, o cofundador dos Pink Floyd comparou o atual momento político ao período de maio de 1968, destacando que as populações estão fartas de políticas pautadas pelo lucro em detrimento de direitos fundamentais como a habitação digna.

As declarações do artista ocorreram à margem do festival literário Escritaria, realizado em Penafiel, onde participou de uma atuação musical ao lado de Mona Miari. O evento cultural deste ano destacou diversas causas internacionais e homenageou figuras ligadas a Timor-Leste, proporcionando um espaço de debate político e artístico onde temas globais cruzaram-se com reivindicações locais e europeias.

Protestos sociais e contestação às elites globais

Durante a conversa com a agência Lusa, Roger Waters enfatizou que os protestos registados em várias regiões europeias refletem um despertar cívico contra o sistema económico vigente. O músico apontou que o planeta dispõe de recursos suficientes para garantir habitação e dignidade a todos, criticando o foco prioritário no lucro corporativo e nas decisões de lideranças internacionais.

A mobilização popular em países como a Albânia foi apontada pelo artista como um exemplo de resistência contra decisões geopolíticas controversas. Para Waters, o ativismo urbano e as manifestações por habitação acessível e justiça social demonstram que as comunidades recusam entregar o futuro político a dinâmicas de poder excludentes.

A colaboração artística e a denúncia da ocupação

Ao lado de Roger Waters, Mona Miari apresentou uma versão reimaginada do clássico dos Pink Floyd adaptada à realidade da luta palestiniana. A artista destacou que a criação conjunta funcionou como uma troca genuína de vozes para amplificar denúncias contra o imperialismo e a violência no Oriente Médio, reforçando a importância da arte como ferramenta de resistência e memória coletiva.

Miari sublinhou que a divulgação em tempo real de conflitos através das redes sociais alterou a perceção pública internacional sobre a situação em Gaza e na Cisjordânia. Para a cantora, o escrutínio sobre as ações israelitas permitiu que mais cidadãos ocidentais compreendessem a gravidade de décadas de ocupação e contestassem narrativas oficiais defendidas por governos aliados.

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