Ciberataque compromete dados de bombeiros Portugueses e força suspensão de plataforma

A segurança digital de milhares de operacionais da proteção civil ficou comprometida após um ataque cibernético direcionado à infraestrutura tecnológica do setor. A base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses (RNBP) foi alvo de uma intrusão informática não autorizada, resultando na cópia de informações sensíveis pertencentes aos profissionais inscritos em todo o país. O incidente gerou alertas imediatos por parte das autoridades competentes e obrigou à desativação temporária da ferramenta digital de gestão.

Em comunicações internas remetidas aos comandos regionais e aos responsáveis das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) confirmou a ocorrência da invasão. A plataforma, que centraliza o registo de cerca de 60 mil elementos entre quadros de comando, ativos, de reserva e de honra, teve os seus mecanismos de segurança violados, permitindo que os atacantes extraíssem o registo completo dos operacionais.

Informações pessoais expostas na intrusão

O volume de dados comprometidos abrange uma vasta gama de registos de caráter confidencial e de identificação civil. Entre os elementos a que os piratas informáticos tiveram acesso constam o nome completo dos bombeiros, números de cartão de cidadão, identificação fiscal, dados da segurança social e informações relativas ao utente de saúde e respetivos subsistemas.

A lista de dados expostos inclui ainda detalhes como a carta de condução, estado civil, data de nascimento, contactos telefónicos, moradas residenciais, registo fotográfico e o grupo sanguíneo de cada operacional. Apesar da gravidade da situação, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) veio esclarecer que a aplicação afetada não armazena dados bancários dos inscritos.

Resposta coordenada e mitigação de riscos

Diante da confirmação da violação, a ANEPC acionou de imediato o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e a Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI). O esforço conjunto entre estas entidades resultou na suspensão preventiva da aplicação do RNBP, enquanto equipas técnicas trabalham na implementação de barreiras de proteção adicionais e na auditoria dos sistemas comprometidos.

A Liga dos Bombeiros Portugueses manifestou reservas quanto à forma de comunicação adotada, apontando que a informação sobre o incidente deveria ter sido transmitida de forma individualizada a cada um dos elementos registados na plataforma. As autoridades continuam a apurar a extensão total dos danos enquanto avaliam os vetores utilizados no ataque cibernético.

Riscos de fraudes e alertas à população operacional

Como consequência direta da fuga de dados pessoais, a Proteção Civil emitiu avisos severos sobre a possibilidade de os operacionais afetados tornarem-se alvos prioritários de campanhas de engenharia social. Os riscos incluem tentativas de fraude através de práticas como o phishing, simulações de comunicações legítimas por mensagens, além de tentativas de burla por chamadas telefónicas e esquemas baseados em códigos QR maliciosos.

As autoridades recomendam uma atenção redobrada perante contactos inesperados que solicitem o acesso a hiperligações ou a introdução de credenciais em páginas de internet desconhecidas. Para acompanhar esta e outras notícias sobre segurança digital, tecnologia e atualidade nacional, continue a navegar no Mais 1 Portugal, o seu portal de referência para uma informação rigorosa, contextualizada e de confiança.

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