Eleições presidenciais chegam ao fim com mobilização de Lula e Flávio

Eleições presidenciais chegam ao fim com mobilização de Lula e Flávio

O cenário político brasileiro atingiu o ponto máximo de mobilização neste sábado (24), véspera do segundo turno que definirá o próximo presidente da República. Em uma disputa marcada por equilíbrio nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram o último dia de campanha a grandes atos públicos nos principais colégios eleitorais do país, dividindo atenções entre São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A reta final das movimentações partidárias ocorreu logo após o confronto direto transmitido pela TV Globo na noite anterior, momento que reuniu apresentação de propostas e embates diretos entre os concorrentes. Com o eleitorado divido e a apuração marcada para este domingo (25), ambos os lados buscaram consolidar seus votos e atrair eleitores indecisos até os últimos minutos permitidos pela legislação.

Caminhadas no Rio e na Avenida Paulista marcam reta final de Lula

Lula iniciou sua agenda de sábado na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde apoiadores começaram a se concentrar a partir das 9h na altura do Posto 5. O presidente chegou ao local por volta das 11h15, cumprimentou eleitores e percorreu o trecho a bordo de um carro de som.

Ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, da deputada Benedita da Silva, do ex-prefeito Eduardo Paes, do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o candidato do PT manifestou confiança em uma virada nas urnas. Durante sua fala, voltou a fazer críticas contundentes a Flávio Bolsonaro, a quem se referiu como “miliciano”.

O petista ressaltou o papel da militância e fez um agradecimento público ao engajamento popular, destacando também a atuação do canal de comunicação “Exército do Lula”, idealizado pelo deputado federal André Janones (Rede). Lula mencionou ainda o desejo de ter realizado uma caminhada na Baixada Fluminense, prometendo investimentos na região caso seja reeleito, e abordou temas de soberania nacional ao comparar a postura das duas candidaturas em relação aos Estados Unidos.

No período da tarde, Lula seguiu para a capital paulista, onde encerrou oficialmente suas atividades de rua com uma caminhada ao longo da Avenida Paulista. O ato reuniu lideranças partidárias e aliados de sua coligação, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Motociata em Minas Gerais e ato na orla carioca impulsionam Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro iniciou suas atividades matutinas em Belo Horizonte, participando de uma motociata que percorreu o trajeto entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital mineira. O senador acompanhou o trajeto em cima de um veículo de som e optou por não fazer discurso ao término do percurso.

O evento em Minas Gerais contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do ex-governador Romeu Zema (Novo). Durante o ato, Nikolas realizou uma oração e protagonizou um gesto simbólico ao chutar um boneco de plástico com a imagem do adversário petista.

Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio reforçou o peso estratégico do eleitorado do Sudeste, citando a tradição política de que vitórias em Minas Gerais e São Paulo costumam refletir o resultado nacional. A articulação no estado paulista foi intensificada por Tarcísio de Freitas, que coordenou mais de 90 eventos de apoio ao senador na fase final da disputa, conforme reportado pela Jovem Pan.

Após o compromisso em solo mineiro, Flávio deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde esteve com apoiadores na Praça do Ó, na Barra da Tijuca. A mobilização ocupou a praça e faixas da orla marítima, onde o candidato tirou fotos, conversou com eleitores e participou de orações. Na mesma região, o senador visitou a residência em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumpriu período de recuperação após o atentado a faca sofrido em 2018.

Confronto na televisão registra debates sobre propostas e acusações pessoais

O encerramento das campanhas de rua sucedeu o debate promovido na noite de sexta-feira (23) pela TV Globo, o segundo confronto direto entre Lula e Flávio neste segundo turno, após o encontro realizado pela Band/Jovem Pan no dia 18.

No estúdio, os candidatos debateram temas como infraestrutura, segurança pública, custo de vida, programas sociais e transporte público. Na ocasião, Flávio declarou apoio à implementação de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana e assegurou que não pretende privatizar empresas públicas como Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Lula, por sua vez, confrontou o oponente sobre declarações antigas relativas ao Bolsa Família e questionou a viabilidade das propostas do rival. O debate registrou momentos de tensão, incluindo um comentário de Flávio sobre a limitação física da mão de Lula decorrente de um acidente de trabalho, fala pela qual o senador se retratou no próprio bloco. Em resposta, Lula voltou a criticar o adversário e divulgou posteriormente nas redes sociais uma mensagem de valorização aos trabalhadores brasileiros.

Pesquisas para as eleições apontam empate técnico entre os candidatos

Os levantamentos estatísticos divulgados no sábado (24) pelos institutos Gerp, Datafolha, BTG/Nexus e Atlas/Bloomberg revelam um cenário de indefinição, com os dois postulantes numericamente próximos e dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.

No levantamento do Datafolha, Flávio aponta com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. Na pesquisa Gerp, os números mostram 52% a 48%. O instituto BTG/Nexus registrou 50,5% para o senador e 49,5% para o atual presidente, enquanto a Atlas/Bloomberg indicou 50,8% a 49,2%. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio somou 47,04% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

Estão aptos a votar mais de 158 milhões de eleitores em todo o território nacional. As seções eleitorais ficam abertas das 8h às 17h, pelo horário oficial de Brasília, com a contagem oficial dos votos iniciando-se imediatamente após o encerramento do pleito.

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