Protestos pela habitação regressam a Lisboa e ao Porto após forte intervenção policial

Protestos pela habitação regressam a Lisboa e ao Porto após forte intervenção policial

As manifestações em defesa do direito à habitação preparam-se para regressar às ruas de Lisboa e do Porto. A convocatória surge depois de uma madrugada marcada por tensões e cargas policiais sobre os manifestantes que acampavam nas praças centrais de ambas as cidades, resultando em feridos e detenções.

Através das redes sociais, os movimentos organizadores reforçaram os apelos à mobilização. Em Lisboa, a concentração está marcada para a Praça D. Pedro IV, enquanto no Porto a resposta ao sucedido nas ruas assume o compromisso de manter a pressão pública até que as exigências sejam ouvidas pelas autoridades.

Ação policial e contagem de feridos

A intervenção da Polícia de Segurança Pública ocorreu após mais de duas horas de impasse nas praças onde os manifestantes mantinham tendas montadas. As forças de segurança avançaram para a dispersão com recurso a equipamento de intervenção, gerando confrontos e críticas severas por parte dos movimentos sociais envolvidos.

Em Lisboa, a polícia reportou um total de sete feridos e 31 detidos por desobediência. No entanto, os dados divulgados pelos coletivos divergem de forma significativa. A Acampada de Lisboa apontou dezenas de feridos, indicando que mais de 20 pessoas necessitaram de encaminhamento para o Hospital de São José, além de várias assistências prestadas no local.

No Porto, a força policial registou oito feridos, enquanto a organização local elevou esse número para 37, destacando que sete se encontravam em estado grave. Este acampamento já tinha sido alvo de uma intervenção anterior na madrugada de dia 15, na sequência de uma mobilização de grande escala na Praça D. João I.

Reivindicações e contexto legislativo

O foco central dos protestos prende-se com a contestação às políticas vigentes no setor imobiliário e à nova lei do arrendamento. Esta legislação, aprovada na generalidade na Assembleia da República com votos favoráveis de PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do Chega, introduz regras para contratos mais flexíveis e processos de despejo mais céleres.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes constam medidas estruturais para garantir o acesso à moradia:

  • A reversão da nova lei do arrendamento.
  • O fim das demolições e despejos sem alternativas habitacionais.
  • A imposição de limites à aquisição de habitação por fundos imobiliários.
  • O incremento da oferta de habitação pública e a reabilitação de imóveis devolutos.

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