Ibovespa recua 10% e B3 interrompe negociações após acionar o circuit breaker

Ibovespa recua 10% e B3 interrompe negociações após acionar o circuit breaker

A B3 informou nesta segunda-feira (26) a interrupção temporária das negociações no mercado à vista após o Ibovespa registrar uma queda expressiva de 10% em relação ao valor fixado no fechamento anterior. O movimento acionou o mecanismo de emergência conhecido como circuit breaker, que paralisou as operações do mercado por 30 minutos.

A medida atinge diretamente a negociação de ativos como ações, BDRs, ETFs, opções referenciadas nesses papéis e títulos da renda fixa privada. Durante o período de suspensão, ordens enviadas ao sistema que não estejam participando ativamente de leilões podem ser canceladas pelos investidores. A bolsa de valores informou que comunicará o horário oficial para a reabertura dos negócios no pregão.

Regras e etapas do circuit breaker no Ibovespa

O acionamento do mecanismo segue diretrizes técnicas e rígidas para conter momentos de extrema volatilidade no mercado financeiro. Quando o índice recua 10% em relação ao fechamento da véspera, as negociações são imediatamente interrompidas pelo período de 30 minutos. Caso ocorra a reabertura e o Ibovespa aprofunde as perdas alcançando uma desvalorização de 15%, a B3 aplica uma nova paralisação, desta vez com duração de uma hora.

Se as oscilações negativas persistirem após a segunda parada e o indicador registrar queda de 20%, a bolsa tem a prerrogativa de suspender o pregão por um tempo indeterminado, comunicando a decisão ao mercado. Contudo, há regras específicas referentes ao horário de encerramento do dia:

  • O mecanismo de proteção não é acionado nos últimos 30 minutos do horário regulamentar do pregão.
  • Se a paralisação ocorrer dentro da última hora do dia, o horário de fechamento do mercado pode ser estendido em até 30 minutos para permitir a reabertura e a negociação contínua.

Reação dos investidores e temores sobre a política fiscal

A forte retração do índice acionário reflete a reação do mercado financeiro e a frustração de agentes econômicos com o resultado do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). A reeleição do presidente Lula (PT) para o próximo mandato trouxe à tona temores e dúvidas entre investidores quanto à condução da política fiscal no país.

A volatilidade demonstra a busca por proteção e o reajuste de posições por parte de fundos e investidores institucionais diante do cenário político definido. Para acompanhar a evolução das cotações e os dados operacionais em tempo real, informações oficiais são atualizadas no portal da B3.

Histórico do circuit breaker no mercado brasileiro

A interrupção registrada nesta segunda-feira marca a 24ª vez que a bolsa de valores aciona o instrumento de emergência em sua história. Antes deste evento, o mecanismo havia sido ativado em 23 ocasiões marcadas por crises econômicas nacionais e internacionais.

Os primeiros episódios ocorreram em novembro de 1997, durante a crise financeira da Ásia, quando as operações pararam nos dias 7 e 12. No ano seguinte, em 1998, os desdobramentos da crise da Rússia provocaram cinco paralisações no mercado brasileiro, incluindo duas interrupções no mesmo dia em 10 de setembro, além de paralisações em 21 de agosto, 4 de setembro e 17 de setembro.

Em 1999, a crise cambial no Brasil motivou novos acionamentos do dispositivo em 13 e 14 de janeiro, datas em que o Ibovespa bateu mínimas de 5.277 e 5.050 pontos. Anos mais tarde, em 2008, o colapso do sistema financeiro global iniciado com a concordata do banco Lehman Brothers resultou em seis paralisações no pregão nacional: a primeira em 29 de setembro e as demais em outubro (nos dias 6, com duas paradas, 19, 15 e 22).

Outros momentos marcantes da história recente do mercado incluem a delação premiada da JBS em 2017, que quase derrubou o governo do então presidente Michel Temer. Já em março de 2020, o surto inicial da pandemia de coronavírus e as incertezas globais levaram ao acionamento do mecanismo por seis vezes (dias 9, 11, 12, 16 e 18 de março).

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