A Ilha dos Puxadoiros, localizada no coração da ria de Aveiro, voltou a ser colocada à venda em um leilão eletrónico por um preço base de 690 mil euros. O montante representa uma redução de 60 mil euros em relação ao valor exigido no processo anterior, que não teve sucesso na comercialização do ativo.
O imóvel havia sido anunciado em setembro com um valor base de 750 mil euros. Na ocasião, o procedimento registrou apenas uma proposta de 615 mil euros, montante que acabou rejeitado pelos proprietários por ficar abaixo das expectativas financeiras do grupo.
De acordo com Vergílio Rocha, um dos proprietários ouvido pela Lusa, a decisão de diminuir o preço surgiu após a constatação de que o mercado inicial não atingiu a fasquia estabelecida. A flexibilização do valor pretende atrair novos investidores interessados na região.
Com uma extensão aproximada de 37 hectares, a propriedade abriga oito marinhas e foi adquirida originalmente por um grupo de investidores. O projeto inicial envolveu investimentos superiores a um milhão de euros, contando também com mais de meio milhão de euros em fundos comunitários para o desenvolvimento de atividades locais.
Ao longo dos anos, o espaço diversificou as suas frentes de exploração económica. Inicialmente, a produção centrou-se na extração tradicional de sal e, posteriormente, na colheita de toneladas de salicórnia, planta abundante na região lagunar.
No entanto, a grande aposta dos proprietários consolidou-se na produção de ostras, considerada a atividade mais adequada para valorizar o ecossistema local sem provocar danos ambientais. A ilha também conta com títulos de atividade aquícola associados aos estabelecimentos 1229 Pinta e 1939 Canal do Peixe.
A decisão de alienar o património decorre de dificuldades logísticas enfrentadas pelos atuais donos. Dos sócios originários, restam apenas quatro, todos residentes em Lisboa, o que inviabilizou a fiscalização diária e a administração contínua das operações no local.
Tentativas anteriores de estabelecer uma estrutura de gestão de proximidade acabaram por fracassar devido a diversos fatores. Para o proprietário, a distância tornou o modelo de negócio inviável, restando apenas a via da comercialização do ativo imobiliário e produtivo.
A leiloeira responsável pelo processo online destaca que a propriedade apresenta elevado potencial para diferentes frentes comerciais. Entre as oportunidades apontadas estão a aquacultura, o turismo de natureza, a realização de eventos exclusivos e iniciativas voltadas à sustentabilidade.
O pacote colocado em comercialização engloba edificações de apoio, como a Casa da Ilha, dois palheiros e a Casa da Pinta. O leilão também inclui equipamentos operacionais, a exemplo de um barco com motor, camas ostrícolas, cais embarcador, grua de carga e um trator com reboque.
O procedimento eletrónico permanece aberto ao público até 18 de novembro, aceitando licitações iniciais a partir de 450 mil euros.
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