A procura de crédito por parte de particulares registou estabilidade no terceiro trimestre, embora com uma ligeira retração no segmento da habitação influenciada pelo patamar das taxas de juro. Contudo, o comportamento geral do agregado não sofreu desvios acentuados, conforme aponta a mais recente edição do Banco de Portugal através do Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito.
O cenário econômico e a dinâmica financeira continuam a moldar as decisões tanto das famílias quanto das organizações, refletindo um período de transição nas políticas monetárias e na avaliação de risco por parte das instituições financeiras a operar no território.
Tendências de financiamento no segmento corporativo
No que respeita às empresas, a última edição do inquérito relativo ao terceiro trimestre de 2026 aponta para uma diminuição da procura de empréstimos por parte das grandes companhias face ao período anterior. Essa retração esteve diretamente ligada às necessidades de financiamento do investimento produtivo.
O documento evidencia ainda uma avaliação heterogênea por parte das instituições bancárias. Na prática, isso resultou, em média, numa ligeira diminuição da procura por pequenas e médias empresas, além de uma queda nos pedidos de empréstimos de longo prazo.
Para o último trimestre deste ano, as perspectivas recolhidas junto da banca apontam para uma ligeira redução da procura de empréstimos por particulares em ambos os segmentos monitorizados.
Critérios de concessão e exigências macroprudenciais
Analisando a oferta de financiamento entre julho e setembro, os critérios de concessão mantiveram-se inalterados no universo corporativo. No entanto, no setor residencial, tornaram-se ligeiramente mais restritivos nos empréstimos à habitação e, em menor grau, no crédito ao consumo e outras finalidades.
As alterações introduzidas na Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal desempenharam um papel importante nessa dinâmica. Tais medidas contribuíram ligeiramente para tornar os critérios mais apertados, juntamente com as expectativas em torno da evolução de preços no mercado imobiliário e a avaliação da qualidade creditícia dos mutuários.
Por outro lado, a concorrência entre diferentes instituições bancárias atuou no sentido oposto, ajudando a mitigar os custos e a flexibilizar ligeiramente os spreads aplicados a empréstimos de risco médio para empresas.
Perspetivas para o acesso a fontes de financiamento
No que tange às fontes de financiamento a retalho e por grosso, o estudo não reportou alterações significativas durante o terceiro trimestre. Ainda assim, a banca antecipa novos desafios para os meses seguintes, prevendo uma deterioração no acesso a títulos de dívida de médio a longo prazo e na titularização de empréstimos.
As decisões de política monetária e a evolução da carteira de ativos do Banco Central Europeu continuam a influenciar a posição de liquidez e os custos de financiamento global da banca, exigindo cautela na gestão dos balanços e na concessão de novos montantes ao mercado.
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