O dólar registrou queda de quase 1% frente ao real nesta terça-feira (27), em um movimento de aparente correção e ajuste de posições. A retração ocorre após a forte valorização de 8,21% registrada na segunda-feira — a maior alta percentual diária desde janeiro de 1999 —, impulsionada pela surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora exista um aumento na percepção de risco devido às dúvidas em torno da política fiscal para um novo mandato do petista, operadores do mercado financeiro atribuem grande parte da arrancada da moeda americana no dia anterior a fatores técnicos. Investidores haviam se posicionado massivamente apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro, cenário que foi desmantelado com o resultado das urnas.
Ajuste de posições e o cenário político atual
Para o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição de Lula logo no pregão de segunda-feira. Na ocasião, ocorreu um rápido desmonte de apostas consideradas muito otimistas em relação à possibilidade de a oposição conquistar a Presidência da República.
Com o retorno ao patamar anterior ao pleito, o governo agora se depara com uma forte oposição no Senado. O mercado financeiro busca acomodação e já sinalizou à gestão federal a expectativa de mudanças concretas na política fiscal, enquanto o dia também foi marcado por uma forte internalização de recursos por parte dos exportadores.
Comportamento da cotação e desempenho global
Após oscilar e rondar os R$ 5,34 ao longo da tarde, o dólar encerrou a sessão desta terça-feira em baixa de 0,97%, cotado a R$ 5,3506. O comportamento contrariou a tendência da moeda americana no exterior, já que o câmbio chegou a flertar com o rompimento do piso de R$ 5,30 durante o período da manhã, registrando mínima de R$ 5,3078.
Apesar da alta acumulada de 3,39% em outubro, no balanço de 2026 o dólar ainda apresenta recuo de 2,52% frente ao real. Entre as divisas da América Latina, apenas a moeda brasileira e o peso colombiano, que exibe ganhos superiores a 15%, mantêm desempenho positivo no acumulado do ano.
Perspectivas fiscais e articulação no congresso
O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, avalia que o movimento de correção no câmbio pode continuar nos próximos dias, à medida que o mercado digere o desfecho eleitoral. No entanto, o especialista destaca que o foco de médio prazo recairá sobre a capacidade do governo de implementar ajustes críveis e reformas econômicas.
Para buscar maior previsibilidade, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que a equipe econômica trabalha na elaboração de um projeto de lei complementar (PLP) para definir juridicamente o compromisso com o centro da meta de resultado primário. Analistas do banco BBH pontuam que, diante de um Congresso mais conservador, a articulação com partidos de centro será vital para limitar novas expansões fiscais, mantendo fatores estruturais como o carry trade favoráveis ao real.
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