O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan News, que a participação do partido no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva dependerá principalmente da condução da política econômica. O dirigente demonstrou preocupação com o equilíbrio das contas públicas, defendeu uma aproximação do presidente com os partidos de centro e negou ter recebido convite para assumir um ministério.
“A intensidade da participação do PSD nessa gestão vai depender muito das propostas e da maneira como o presidente apresentar, em especial como será a condução da sua política econômica”, declarou o dirigente partidário durante a sabatina.
Expectativa fiscal e articulações políticas
Kassab destacou que existe uma expectativa negativa no mercado em relação à situação fiscal do país. Para ele, as primeiras sinalizações de Lula sobre a composição da equipe econômica serão determinantes para definir a relação institucional entre o PSD e o Palácio do Planalto nos próximos anos.
As declarações repercutem o cenário de negociações para a formação do próximo governo. Conforme apurou a Jovem Pan, legendas como PSD, MDB e União Brasil iniciaram as articulações para conquistar espaço na Esplanada dos Ministérios para o mandato que começa em janeiro de 2027.
Questionado sobre a possibilidade de integrar pessoalmente a administração federal, Kassab negou que tenha recebido qualquer sondagem oficial. O político classificou as notícias sobre seu nome como mera especulação e pontuou que a escolha de ministros é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República.
Diálogo com o centro e independência partidária
Apesar das ressalvas ligadas à economia, o presidente do PSD afirmou desejar sucesso à gestão reeleita e garantiu que a legenda está disposta a colaborar com o país, mantendo, contudo, sua independência política e liberdade de crítica.
Kassab defendeu que Lula amplie o diálogo com as forças políticas de centro para construir uma base parlamentar mais sólida. Segundo sua avaliação, essa estratégia permitiria governar com maior tranquilidade sem a necessidade de abandonar os compromissos assumidos com a agenda social durante a campanha eleitoral.
Com a formação do Congresso resultante do pleito de outubro, o PSD contará com 43 deputados federais e cinco senadores a partir de fevereiro de 2027. O cenário legislativo exigirá articulações constantes, visto que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, deterá a maior bancada individual nas duas Casas legislativas.
Críticas aos juros e sustentabilidade de gastos
No campo econômico, o dirigente cobrou medidas voltadas à responsabilidade fiscal e criticou o atual patamar das taxas de juros no país, argumentando que o custo elevado do crédito prejudica os investimentos produtivos e o mercado imobiliário nacional.
Kassab também ponderou sobre a necessidade de transparência nos gastos públicos destinados a programas sociais, ressaltando que a manutenção de iniciativas importantes exige fontes claras de financiamento para evitar desequilíbrios orçamentários futuros.
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