A capital paraguaia, Assunção, tornou-se o palco de intensos protestos de rua após o colapso financeiro do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país. O encerramento vertiginoso das operações da entidade deixou milhares de poupadores sem acesso aos seus valores, gerando uma onda de insatisfação popular e desdobramentos diretos na cúpula do governo nacional.
Com atendimentos que alcançavam quase metade da população de 6,4 milhões de paraguaios, a declaração de insolvência da instituição forçou a intervenção imediata do Banco Central do Paraguai (BCP). A autoridade monetária bloqueou recursos públicos e contas privadas, instaurando um período de forte incerteza econômica e institucional no país vizinho.
Prisões de executivos e medidas do Fundo de Garantia
Diante da gravidade da situação e das suspeitas de irregularidades no gerenciamento dos ativos, a Justiça do Paraguai agiu rapidamente ao decretar a prisão preventiva de oito pessoas ligadas ao escândalo. Entre os detidos estão Juan Manuel Gustale, presidente do banco digital, e Federico Miguel Vázquez, diretor-executivo da instituição.
Para tentar conter a corrida bancária e minimizar os prejuízos da população, o órgão regulador anunciou a suspensão temporária de saques em fundos de investimentos atrelados à empresa. Paralelamente, o governo confirmou o adiantamento do socorro por meio do Fundo de Garantia de Depósitos aos clientes afetados.
A antecipação dos valores cobrirá quantias de até 40 salários mínimos por poupador. No entanto, as autoridades esclareceram que eventuais dívidas ou pendências financeiras mantidas pelos clientes com o próprio banco serão deduzidas do valor total a ser ressarcido.
Nota de risco do Ueno Bank despenca para nível de calote
A deterioração da saúde financeira da instituição teve forte impacto nas avaliações internacionais. A agência global de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou expressivamente os ratings de inadimplência do emissor (IDR) em moeda estrangeira e local de longo prazo da instituição, alterando a nota de “BB” para “D”, nível que sinaliza calote efetivo.
A agência também cortou as notas de curto prazo de “B” para “D” e reduziu o suporte governamental de “bb-” para a classificação de “sem suporte”. Segundo o comunicado divulgado pela entidade analítica, o rebaixamento drástico reflete diretamente o entendimento de que o emissor entrou em processo definitivo de liquidação e encerrou suas atividades operacionais.
Renúncia na cúpula do Banco Central e trocas no governo
A crise provocou um forte abalo na estrutura regulatória do país. Carlos Cavallo renunciou ao cargo de presidente do autoridade monetária central, acompanhado pela saída de outros dois diretores da instituição. As demissões em massa aceleraram a necessidade de uma reorganização imediata da autoridade monetária nacional.
Buscando conter a instabilidade no mercado financeiro, o presidente Santiago Peña usou suas redes sociais para anunciar as substituições na autoridade monetária. O economista Raúl Vera Bogado foi indicado para assumir a presidência do órgão regulador, enquanto Pedro Acosta foi nomeado para compor o Diretório do BCP.
As investigações policiais e desdobramentos judiciais seguem em andamento para apurar as responsabilidades pelo colapso da instituição. Para continuar acompanhando as principais análises sobre a economia internacional, política e atualidades, continue navegando no portal Mais 1 Portugal.