Bancada governista apoia impeachment de Santiago Peña após colapso bancário no Paraguai

Bancada governista apoia impeachment de Santiago Peña após colapso bancário no Paraguai

O cenário político paraguaio sofreu uma reviravolta decisiva após o anúncio de que a principal força do próprio governo retirou a sustentação política do Executivo. O ex-presidente Horacio Cartes e a bancada governista majoritária na Câmara dos Deputados formalizaram que votarão favoravelmente à abertura do processo de acusação constitucional contra o presidente Santiago Peña. O estopim da crise decorre dos desdobramentos financeiros e sociais provocados pela derrocada do Ueno Bank, instituição com histórico de vínculos a antigos parceiros comerciais do atual chefe de Estado.

Apoio partidário acelera o processo de impeachment em Assunção

A posição oficial foi divulgada pela Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado. Em comunicado público veiculado na rede social X, o presidente da legenda, Horacio Cartes, afirmou que a agremiação não se manterá ao lado do suposto desvio de recursos públicos, privados e de fundos de aposentadoria. Segundo o dirigente, o apoio ao julgamento busca reestabelecer a institucionalidade da República.

Em paralelo, a bancada ANR “A” confirmou o posicionamento unânime de seus 35 deputados presentes na sessão. A liderança declarou que a resolução responde às cobranças diretas da sociedade paraguaia e coloca as instituições democráticas acima de composições partidárias. Com essa adesão, a Câmara dos Deputados abriu os trabalhos para analisar a denúncia com perspectiva de votação expressiva. Segundo informações do jornal ABC Color, o avanço da matéria exige a aprovação de dois terços dos parlamentares presentes antes do envio final ao Senado.

O colapso do Ueno Bank e a perda de fundos públicos

A instabilidade política se aprofundou com o encerramento das atividades do Ueno Bank determinado pelo Banco Central do Paraguai. A autoridade monetária deu início ao processo de dissolução da entidade, com a suspensão imediata de operações financeiras e o bloqueio do acesso aos depósitos bancários.

A gravidade da crise é ampliada pelos valores sob custódia da instituição privada. De acordo com dados apurados pela Associated Press, a entidade administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos do setor público, montante que incluía cerca de US$ 380 milhões pertencentes ao instituto estatal de previdência social. O bloqueio dos ativos gerou intensas manifestações populares nas ruas da capital, Assunção, resultando na decretação de prisão preventiva para oito empresários e executivos ligados à gestão do banco.

Articulações políticas para a sucessão na presidência

Diante do avanço do processo legislativo, os bastidores políticos em Assunção já discutem os cenários para a transição do poder Executivo. Reuniões de alinhamento foram realizadas entre Horacio Cartes e o vice-presidente Pedro Alliana. Caso ocorra a destituição formal de Santiago Peña pelo Congresso, a Constituição do Paraguai prevê que Alliana assuma o comando do governo nacional.

Apesar da forte pressão política e popular, manifestações do presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, indicam que Santiago Peña sustenta a tese de inocência. O mandatário indicou a interlocutores que pretende exercer o direito de defesa e responder a todas as etapas do julgamento político no Parlamento.

O desdobramento dessa crise institucional no país vizinho reforça a importância do acompanhamento atento da geopolítica sul-americana. Para se manter informado sobre as transformações políticas e econômicas mundiais com apuração rigorosa e análise aprofundada, continue acompanhando a cobertura jornalística completa do Mais 1 Portugal.

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