O Banco Central do Paraguai informou neste sábado (07) que realizou a devolução dos recursos financeiros pertencentes a cerca de 1,2 milhão de correntistas do Ueno Bank. No total, a operação de ressarcimento somou o equivalente a aproximadamente R$ 880 milhões, beneficiando exatamente 1.196.000 poupadores. O balanço oficial sobre as restituições foi apresentado durante uma coletiva de imprensa promovida no Palácio López, sede do governo paraguaio.
Durante o anúncio, as autoridades ressaltaram a prioridade dada ao atendimento da população afetada pela paralisação das atividades da instituição bancária. “Fomos instruídos a fazer o máximo esforço para tranquilizar os poupadores afetados”, declarou o ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera.
Protestos em Assunção e a decretação de insolvência
A crise atingiu um ponto crítico no início da semana, quando milhares de cidadãos paraguaios foram às ruas da capital, Assunção, na terça-feira (3), para exigir a liberação imediata de suas economias retidas no Ueno Bank. A instituição figurava como um dos maiores bancos digitais do país, prestando serviços a quase metade de toda a população do Paraguai, estimada em 6,4 milhões de habitantes.
A mobilização popular ocorreu logo após a instituição financeira ser colocada sob intervenção oficial ao ser considerada insolvente. O diagnóstico de insolvência indicou que o banco perdeu a capacidade operacional e financeira de honrar os compromissos assumidos com seus clientes e credores.
Intervenção e desdobramentos da crise financeira no Paraguai
Diante do colapso da instituição, o Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio cautelar de recursos públicos e das contas de economias de milhões de clientes vinculados ao banco. Posteriormente, na quarta-feira (4), a autoridade monetária deu um passo adiante e suspendeu temporariamente os saques de dinheiro referentes a determinados fundos de investimentos operados em conexão direta com o Ueno Bank.
Para mitigar os prejuízos e restabelecer a liquidez das famílias prejudicadas, o órgão regulador anunciou o adiantamento da garantia prestada pelo Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores afetados. A antecipação foi fixada no valor de até 40 salários mínimos por cliente, com a ressalva de que eventuais dívidas pendentes dos correntistas com o próprio banco seriam deduzidas do montante final a ser ressarcido.
Prisões preventivas e investigações judiciais
Paralelamente às medidas administrativas de contenção promovidas pelo governo, a Justiça do Paraguai avançou no campo criminal para apurar as responsabilidades pelo colapso financeiro. O Poder Judiciário determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento nas irregularidades que conduziram à crise do Ueno Bank.
Entre os alvos das ordens judiciais de prisão estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez. As investigações buscam esclarecer a gestão dos ativos e a cadeia de decisões que resultou na insolvência da entidade.
As informações sobre a operação de ressarcimento e o andamento das investigações foram detalhadas pela cobertura da Jovem Pan. Para acompanhar outros desdobramentos internacionais, cenários econômicos e análises aprofundadas sobre a América Latina, continue lendo o Mais 1 Portugal e fique sempre bem informado.