O presidente do CNE assume que “é uma situação preocupante” e questiona se a oferta da disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM) é suficiente.
De acordo com os dados disponíveis pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), dos cerca de 142 mil alunos estrangeiros a frequentar a escolaridade obrigatória, só 13.923 alunos tiveram acesso à disciplina de PLNM, ou seja apenas 9,7%.
À Renascença, Domingos Fernandes questiona “em que medida a oferta existente foi capaz de responder às necessidades”, lamentando não ter esses dados.
Sublinha que “não chega saber que cerca de 13 mil alunos tiveram acesso ao PLNM, é preciso é saber se há oferta que cubra a procura e não temos esses números”, concluindo que “é muito difícil estar a governar nestas condições”.
“Existência do 2.º ciclo é manifestamente problemática”
O relatório do CNE sublinha que “o país precisa de resolver a questão da existência do 2.º ciclo que é manifestamente problemática”, como, de resto, foi referido num “estudo encomendado pelo CNE, em 2008, a um conjunto multidisciplinar de investigadores”.
O presidente do CNE, em entrevista à Renascença, defende que é preciso “olhar muito bem para o ensino e aprendizagem dos alunos dos 6 aos 12 anos”, porque “sabemos que estes alunos estão a ter problemas muito sérios ao nível da escrita, ao nível da leitura, ao nível da matemática e ao nível de outras disciplinas.
Uma das formas de ultrapassar o problema, segundo Domingos Fernandes, “passa por uma modificação estrutural que é acabar com o 2.º ciclo, que há 16 anos o CNE já propôs e que ao fim de 16 anos está tudo exatamente na mesma”.