O governador do Banco de Portugal recusou-se a comentar a reforma antecipada de Mário Centeno. Questionado pela RTP durante a participação no simulacro de preparação para um tsunami, em Lisboa, na manhã desta terça-feira, 24 de março, Álvaro Santos Pereira afirmou que “não é hoje” que vai falar sobre a situação, remetendo quaisquer questões sobre a instituição para o dia seguinte, quando será divulgado o Boletim Económico atual.
“Todas as perguntas que tenham sobre o Banco de Portugal serão respondidas amanhã. Hoje, o importante é que as pessoas participem neste tipo de simulacros, que consigamos planear melhor eventualidades, quer sejam tempestades, incêndios, sismos, isso é o que temos que fazer, tornar a nossa sociedade mais resiliente”, disse o governador, que, momentos antes, confirmou que interrompeu uma reunião do conselho de administração para poder participar no simulacro.
O ex-governador Mário Centeno vai sair do BdP através do regime de aposentação ao abrigo do fundo de pensões existente no banco central, após um acordo entre as duas partes. O antigo ministro das Finanças deverá auferir uma reforma na ordem dos 10 mil euros brutos, o que tem causado polémica. O valor é ligeiramente inferior ao montante da pensão a que teria direito se continuasse na instituição, na qual poderia continuar a trabalhar até aos 70 anos, e também inferior ao salário de 15 mil euros brutos que recebia como consultor do conselho de administração do BdP.
Mário Centeno foi governador do BdP entre 2020 e 2025, mas tinha já trabalhado na instituição enquanto economista a partir de 2000, foi diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos de 2004 a 2013 e consultor do Conselho de Administração do BdP entre dezembro de 2013 e novembro de 2015.
Álvaro Santos Pereira vai mesmo a responder perante os deputados da Assembleia da República, após uma audiência requerida pelo Chega.