Durante um almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal (ICPT), o presidente do Chega, André Ventura, defendeu que a crise da habitação no país exige uma mudança profunda de postura económica e institucional. Para o líder partidário, a solução para o setor passa obrigatoriamente por restabelecer a confiança no mercado e garantir o funcionamento eficaz da justiça.
O evento reuniu figuras do panorama político e empresarial para discutir os principais desafios estruturais do país. Na ocasião, o político criticou o que classificou como uma mentalidade desatualizada em relação aos investimentos imobiliários e apontou falhas nas políticas públicas adotadas nos últimos anos.
diagnóstico da crise imobiliária e mercado de trabalho
Durante a sua intervenção, o líder partidário abordou a desproporção entre a oferta disponível e a procura habitacional. Segundo os dados apresentados, a carência de habitação em território nacional atinge centenas de milhares de fogos, enquanto o fluxo de novos residentes exerceu pressão adicional sobre os centros urbanos.
No centro da discussão esteve também o impacto dos Vistos Gold, extintos após debates prolongados sobre a especulação imobiliária. Para o dirigente, a medida teve um alcance reduzido em termos estatísticos quando comparada com o défice estrutural de construção e com a pressão demográfica sentida no setor residencial.
investimento privado e limites da construção pública
Abordando as soluções para mitigar o encarecimento dos aluguéis e a escassez de moradias, a intervenção destacou a importância de incentivar a iniciativa privada. Foi rejeitado o modelo de forte intervenção estatal verificado noutros países europeus, argumentando-se que a construção exclusiva de habitação pública não responde à totalidade das necessidades nacionais.
Entre as propostas mencionadas para dinamizar o mercado encontram-se a disponibilização de terrenos públicos e a reabilitação de edifícios devolutos do Estado. Contudo, rejeitou-se qualquer medida de cariz expropriatório, defendendo-se que o estímulo regulatório deve substituir a obrigatoriedade na relação com os proprietários.
imigração, segurança e perspetiva europeia
A discussão alargou-se a temas geopolíticos e sociais, com críticas severas às políticas migratórias vigentes na União Europeia. O dirigente apontou semelhanças entre a gestão de fluxos populacionais no continente e o agravamento de tensões sociais em grandes centros urbanos, mencionando episódios recentes ocorridos em Bruxelas.
Foram igualmente tecidas considerações sobre a estratégia económica europeia face a outras potências globais, sustentando que o modelo de acolhimento carece de reformas estruturais para garantir a sustentabilidade dos serviços públicos e a segurança coletiva.
posicionamento face a debates sociais e o custo de vida
A intervenção serviu ainda para demarcar posições face a temas fraturantes e à atuação do executivo. O presidente do Chega considerou extemporâneo o retorno de discussões sobre o aborto, argumentando que a prioridade dos cidadãos reside no combate à inflação e ao aumento do custo de vida.
Por fim, o evento organizado pelo Diário de Notícias serviu para reforçar críticas à gestão governamental das manifestações recentes ligadas à habitação e à ausência de respostas estruturais para as famílias portuguesas.
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