Livro póstumo de Zagallo relembra bastidores da Copa de 1970 e conquista do tri

Livro póstumo de Zagallo relembra bastidores da Copa de 1970 e conquista do tri

A trajetória de Mário Jorge Lobo Zagallo no comando da seleção brasileira é eternizada por meio de suas próprias lembranças no livro de memórias intitulado “As lições da Copa”. Na obra, o lendário treinador detalha os bastidores e a emocionante comemoração pela conquista do tricampeonato mundial em 1970, realizada no México. Ao revisitar a inesquecível vitória por 4 a 1 sobre a Itália na grande final, disputada no Estádio Azteca, o comandante destacou momentos cruciais da partida que mudaram os rumos daquela decisão histórica.

O Velho Lobo relata que a euforia generalizada e a certeza do título começaram a tomar forma durante a etapa final do confronto decisivo. Segundo o relato, o clima de apreensão após o primeiro tempo equilibrado, que terminou empatado por 1 a 1 com gols de Pelé e Boninsegna, deu lugar à festa antecipada após o tento marcado pelo meio-campista Gérson, aos vinte e um minutos do segundo tempo. A invasão de campo prematura e a comoção de jogadores e comissão técnica ilustram a magnitude daquele momento para o esporte nacional.

A euforia em campo e o gol de Gérson

A jogada que colocou a seleção novamente à frente no placar desencadeou uma onda de comemorações espontâneas e intensas no gramado do Estádio Azteca. Zagallo descreve a reação imediata dos atletas e do corpo médico diante da vantagem construída na segunda etapa. A atmosfera de alívio e celebração espiritual tomou conta dos profissionais envolvidos na campanha, antecipando o desfecho vitorioso que consagraria o futebol brasileiro no cenário internacional da época.

Com o avanço do cronômetro, a superioridade tática e técnica da equipe brasileira ficou ainda mais evidente diante de uma seleção italiana considerada extremamente sólida defensivamente. O terceiro gol, marcado por Jairzinho, consolidou a vantagem e reduziu a apreensão na reta final do confronto, permitindo que a comissão técnica e os torcedores começassem a festejar a consolidação do tricampeonato mundial de forma antecipada.

A apoteose e o desfecho histórico no México

O ponto alto da partida veio aos quarenta e um minutos do segundo tempo, coroando uma das maiores atuações coletivas da história das copas do mundo. Uma troca de passes envolvente entre Tostão, Clodoaldo, Rivellino, Jairzinho e Pelé culminou na finalização certeira do capitão Carlos Alberto Torres. O quarto gol sacramentou a vitória incontestável e encerrou a campanha com uma aula de futebol ofensivo que entrou para a posteridade.

Apesar da festa monumental que tomou conta do país e do gramado, o próprio treinador revelou ter vivido um contraste emocional curioso durante os festejos finais. Tendo conquistado o torneio anteriormente como atleta nas edições de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile, o comandante enfrentou um bloqueio emocional inédito. Enquanto todos comemoravam e choravam de alegria ao redor, a enorme responsabilidade assumida ao aceitar o cargo sob pressão impediu que ele próprio conseguisse desabogar em lágrimas.

A superação e o legado do Velho Lobo

O desafio de assumir a direção técnica da seleção brasileira a apenas setenta e oito dias da estreia oficial contra a Tchecoslováquia exigiu coragem e capacidade de adaptação imediata. Substituto de João Saldanha, o profissional soube implementar ajustes táticos fundamentais que garantiram a posse definitiva da Taça Jules Rimet, consolidando seu nome de vez na história do esporte mundial.

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