O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou a convocação dos líderes dos dois maiores partidos da oposição para que apresentem propostas concretas sobre a habitação. Os encontros com representantes do Chega e do PS estão agendados para a quinta-feira, logo após o regresso do governante de Madrid. Paralelamente, outras forças partidárias manterão reuniões com ministros do Executivo para debater o setor.
Durante o anúncio, o líder do governo destacou que o diálogo sobre o tema não é recente e lembrou as inúmeras audições realizadas com movimentos sociais, partidos e académicos ao longo dos últimos anos. O acesso à moradia foi classificado como um dos maiores desafios enfrentados pelos cidadãos, com o Executivo a rejeitar a ideia de que desperta tardiamente para a questão.
Estratégia governamental e investimentos previstos
Para mitigar a crise, o governo apontou medidas já implementadas, como a redução do IRS Jovem, a isenção de IMT e de imposto de selo, além da descida do IVA na construção para seis por cento. O plano habitacional público prevê a entrega de dezenas de milhares de unidades nos próximos anos, com um investimento global estimado em dez mil milhões de euros até 2030, embora tenha sido sublinhado que as políticas públicas exigem planeamento e tempo para gerar resultados concretos.
A situação do mercado imobiliário tem motivado intensas discussões públicas, com o Executivo a reconhecer que o cenário se degradou significativamente ao longo da última década. As recentes manifestações e acampamentos em várias cidades têm colocado pressão sobre as autoridades, reivindicando alterações legislativas, o fim de despejos sem alternativas e a regulação de fundos imobiliários.
Manifestações e o papel das forças de segurança
As mobilizações populares e as intervenções policiais registadas em locais como o Rossio, em Lisboa, e a Praça D. João I, no Porto, geraram repercussão política e pedidos de esclarecimento institucional. Enquanto o governo defende o respeito pelo direito à manifestação e à livre circulação, refuta a importação de modelos de protesto violentos, sublinhando o caráter pacífico do país.
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