Fundada no Rio de Janeiro, a Diaspora.Black “nasce para promover histórias, memórias, gastronomia, musicalidade. Tudo que está relacionado a essa riqueza que foi produzida pelos povos africanos que se espalharam pelo mundo”, explica o CEO. “Hoje nós estamos em 18 países a partir de uma plataforma que conecta as pessoas a pacotes de viagens, caminhadas, experiências que são anunciadas nessa plataforma e que levam as pessoas à oportunidade de vivenciar essas muitas experiências turísticas que apresentam esses lugares, essas memórias, essas gastronomias”, completa.
Em Portugal, o plano é servir conforme já atua nos demais países, como uma plataforma para que os operadores turísticos vendam os seus produtos, mas também fomentar a criação das experiências que destaquem a cultura ancestral africana e valorizar as que já existem.
Sobre a resistência que poderá encontrar pelo caminho, pelas questões que Portugal ainda precisa limar quando se trata de reconhecer o papel no trafico transatlântico de pessoas escravizadas, o brasileiro é categórico. “As pessoas mais jovens estão buscando mais sentido, estão mais conectadas e não querem se envergonhar da própria história, querem conhecer as nossas histórias. E aí a gente não precisa se envergonhar, ter medo do que aconteceu no passado. Pelo contrário, a gente precisa olhar para o passado para aprender, para mudar o futuro. Então esse turismo, o afroturismo, traz essa possibilidade”.
O afroturismo, ou também chamado de turismo de herança, é uma tendência internacional da atualidade. “Esse movimento está crescendo na América Latina, na América do Norte, na Europa em outros países, a gente tem esse movimento crescendo bastante na França, na Inglaterra. E aqui que tem tantos ativos, é um desperdício econômico não olhar para essas memórias e para esses patrimônios. Então, a gente também trabalha essa perspectiva do quanto isso pode gerar receita para Portugal. Entendendo que essas histórias são grandes ativos também turísticos e econômicos que podem diversificar até mesmo os produtos de turismo no país”.