As viagens de turistas provenientes dos Estados Unidos para Portugal estão a refrear e as consequências já se sentem na hotelaria do país. A uma semana da Páscoa, o número de reservas desta nacionalidade nos empreendimentos de alojamento caiu face ao período homólogo.
Se em 2025 os norte-americanos ocupavam a quarta posição no ranking dos principais mercados para esta época festiva, este ano recuaram para o quinto lugar, sendo o top três liderado pelos portugueses, espanhóis e ingleses. “Este mercado está a ressentir-se por razões de instabilidade devido à guerra. Sente-se desconfortável e há algum abrandamento nas viagens e uma prudência no consumo”, explicou esta quinta-feira, 26, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira.
Num encontro com jornalistas, para apresentar as conclusões do inquérito realizado pela associação, “Balanço Carnaval e perspetivas para Páscoa”, a responsável detalhou que este “abrandamento” por parte dos Estados Unidos não só se verifica na Páscoa, mas deverá também estender-se à época das férias de verão. Outro dos principais impactos sentido nos hotéis, principalmente na região de Fátima, é a “quebra violenta” dos turistas asiáticos provenientes sobretudo da China e da Coreia do Sul, explicou.
Numa leitura global ao mapa nacional, as expectativas dos hoteleiros para o fim de semana prolongado de 3 a 5 de abril apontam para uma quebra de 7% na taxa de ocupação e de um recuo de 10% no preço médio para 57% e 147 euros, respetivamente, embora a AHP ressalve que esta variação se possa explicar pelo facto de o estudo ter sido elaborado mais cedo este ano, o que poderá excluir reservas de última hora que já não foram contabilizadas. “Temos uma Páscoa ainda muito impactada pelo mau tempo e pela guerra na altura da realização do inquérito”, justificou Cristina Siza Vieira.
Numa análise mais fina, saltam à vista as assimetrias nas diversas regiões do país. A Madeira lidera nos principais indicadores “com um comportamento muito acima da média nacional”. No arquipélago, os hoteleiros esperam casa cheia, com uma taxa de ocupação de 76% e um preço médio por noite de 184 euros. Seguem-se a região da Grande Lisboa, com uma ocupação de 66% e um preço médio de 168 euros, e o Alentejo que, embora com uma ocupação mais baixa, de 43%, apresenta o terceiro preço médio mais elevado do país, de 163 euros.
Já o Algarve “está a recuperar mais nas reservas, mas menos no preço”, com uma ocupação estimada de 63% e um preço médio de 121 euros, demonstrando “alguma preocupação e instabilidade relativamente à Páscoa”.
Por outro lado, os Açores e a região do Oeste e Vale do Tejo registam os preços médios mais baixos, de 92 euros e 96 euros, respetivamente.
Apesar da incerteza e da instabilidade provocadas pelo atual quadro geopolítico, os hoteleiros dizem-se otimistas, com a maioria a antecipar que os proveitos na Páscoa “podem ser melhores ou muito melhores” em comparação com 2025.
No universo dos 394 inquiridos, 60% afiança que o ritmo de reservas está dentro do previsto e 16% assegura, mesmo, que acelerou por via do potencial desvio de outros destinos para Portugal. Apenas uma franja de 24% refere estar a ser impactado com cancelamentos ou um abrandamento nas reservas.
A Madeira e o Alentejo são os destinos mais otimistas contra a Península de Setúbal e os Açores que, por outro lado, esperam menos hóspedes na Páscoa.