Ryanair pressiona governo português por suspensão de novo sistema de fronteiras

Ryanair pressiona governo português por suspensão de novo sistema de fronteiras

Ryanair alerta para colapso nos aeroportos com novo sistema

A companhia aérea Ryanair formalizou um pedido urgente ao governo português solicitando a suspensão, até setembro, da implementação do novo sistema europeu de controlo de entradas e saídas. A medida, que visa evitar o caos operacional, surge num momento em que a transportadora irlandesa teme que o período de pico do verão resulte em atrasos severos e filas intermináveis nos terminais do país.

O apelo, realizado na quinta-feira, 30, destaca a preocupação com o impacto direto na experiência dos passageiros. De acordo com a empresa, a falta de preparação das infraestruturas aeroportuárias para lidar com as novas exigências tecnológicas pode comprometer as férias de milhares de famílias que utilizam os aeroportos portugueses durante os meses de maior fluxo turístico.

Falhas estruturais e falta de pessoal

A transportadora aponta que as autoridades portuguesas tinham conhecimento prévio sobre a entrada em vigor do sistema, prevista para 10 de abril de 2026, com um prazo de preparação superior a três anos. Contudo, a Ryanair argumenta que não foram alocados recursos humanos suficientes nem instalados os equipamentos necessários, como quiosques de atendimento automático, para garantir a fluidez do processo.

Atualmente, a companhia relata que os tempos de espera no controlo de passaportes já atingem marcas críticas de uma a duas horas em locais como Faro, Funchal e Porto. A escassez de pessoal e as falhas técnicas recorrentes nos sistemas de verificação já resultaram, segundo a empresa, na perda de voos por parte de passageiros que não conseguiram chegar aos portões de embarque a tempo.

Comparação europeia e apelo diplomático

Para fundamentar o pedido, a companhia cita o exemplo da Grécia, que optou por adiar a implementação do novo sistema até setembro. A estratégia grega visa proteger o setor turístico durante a alta temporada, garantindo que o tráfego aéreo não seja estrangulado por burocracias digitais ainda não plenamente testadas ou equipadas.

O diretor de operações da Ryanair, Neal McMahon, reforçou que a solução está amparada pelo Regulamento UE 2025/1534. A empresa enviou comunicações formais aos governos de 29 países, incluindo uma carta endereçada ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, defendendo que o adiamento é a única forma de evitar que os passageiros paguem o preço pela falta de prontidão dos Estados-membros.

Impacto no setor turístico

A posição da Ryanair coloca em evidência o desafio de modernizar as fronteiras europeias sem sacrificar a eficiência do transporte aéreo. O setor de aviação teme que a insistência em prazos rígidos, sem o devido suporte tecnológico e humano, transforme os aeroportos em gargalos que podem desestimular o turismo internacional em Portugal.

O Mais 1 Portugal continua a acompanhar de perto os desdobramentos desta disputa entre a transportadora e as autoridades nacionais. Manteremos nossos leitores informados sobre quaisquer decisões do governo ou novas medidas adotadas para mitigar os impactos nos aeroportos portugueses, garantindo sempre a transparência e a relevância que pautam nossa cobertura jornalística.