O setor segurador já pagou 41% das indemnizações relacionadas com os danos causados pelo comboio de tempestades que assolou o país entre janeiro e fevereiro, num total superior a 260 milhões de euros. O valor foi revelado esta quinta-feira, 26, pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que reviu em alta a estimativa do montante global dos sinistros indemnizáveis para mil milhões de euros.
Esta atualização considerável face à ultima estimativa deve-se ao facto de terem continuado a chegar participações às seguradoras ao longo deste mês de março, mesmo que os danos causados pelas tempestades tenham ocorrido entre 27 de janeiro e 13 de fevereiro. Mais concretamente, foram mais de mil participações diárias em março.
Em causa estão cerca de 180 mil participações registadas até 20 de março, o que tem obrigado as seguradoras a encerrar processos ao ritmo de 1500 sinistros por dia, diz ainda a APS, em comunicado. Daquele universo total, “mais de 75 mil já tiveram indemnizações ou adiantamentos pagos”.
Como seria de esperar, são os danos nas habitações que representam a fatia de leão das participações, que, neste segmento chegaram às 150 mil e que representam indemnizações de 442 milhões de euros. Mas é para a reparação e recuperação de empresas, comércios e obras que vai mais dinheiro, 443 milhões de euros. Para as 12 mil casos em que o seguro automóvel foi acionado as indemnizações ascendem a 34 milhões de euros
Além dos processos já pagos existem outros que aguardam documentos. “Importa salientar que muitos processos de sinistros já têm a sua análise concluída e estão dados como aceites, mas não estão considerados encerrados ou não foram ainda pagos por motivos alheios às seguradoras, designadamente: aguardam o envio de orçamentos finais; ou aguardam comprovativos relativos à propriedade do bem danificado ou informação sobre o IBAN do titular do direito à indemnização aguardam a entrega de equipamentos, materiais, conclusão de obras e respetiva faturação, para serem pagos”, explica a APS.
Há também casos em que os processos estão pendentes “da intervenção de terceiros, por exemplo quando há regimes de copropriedade, ou nos casos em que o bem danificado foi dado em garantia num empréstimo bancário e existem credores hipotecários”, acrescenta a associação.
Numa tentativa de contextualizar o que para as vítimas pode ser encarado como um atraso, a APS diz que “o número excecional de sinistros participados em simultâneo, e a complexidade de alguns deles, torna o processo de análise mais exigente, envolvendo, ainda, procedimentos legais e contratuais obrigatórios que não dependem apenas das seguradoras”. Mais, refere que “o setor mantém o compromisso com o reforço de meios, equipas e agilização de processos, e empenhado em apoiar os seus clientes, efetuando adiantamentos por conta das indemnizações finais sempre que solicitados e justificados”. A APS indica que este balanço voltará será atualizado, assim que haja novos dados.