O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou como um “dever moral e legal” a autorização para o desembarque e repatriamento de mais de 100 pessoas a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que enfrenta um surto de hantavírus, tem chegada prevista às Ilhas Canárias para a madrugada deste domingo. A operação, considerada de envergadura internacional sem precedentes, conta com a coordenação direta da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Logística de segurança e isolamento sanitário
A estratégia desenhada pelas autoridades espanholas, em conjunto com a OMS e o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), prioriza o isolamento total dos passageiros e tripulantes. O navio não atracará nos cais convencionais; permanecerá fundeado ao largo, sendo assistido por rebocadores. O transporte dos passageiros até o aeroporto de Tenerife Sul será realizado em veículos militares, percorrendo um trajeto de 10 quilômetros totalmente isolado para evitar qualquer contato com a população local.
O protocolo estabelecido determina que o desembarque só ocorra quando as aeronaves de repatriamento estiverem prontas para a decolagem imediata. “Antes do desembarque, epidemiologistas realizarão uma avaliação exaustiva para confirmar que os passageiros continuam assintomáticos”, explicou a ministra da Saúde espanhola, Mónica García. A operação envolve passageiros de 23 nacionalidades distintas, com voos já confirmados para países como França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.
Contexto do surto e riscos à saúde pública
O alerta sanitário foi acionado após a detecção de casos de hantavírus a bordo, uma doença viral transmitida geralmente por roedores, mas que, na variante Andes identificada no navio, apresenta a rara possibilidade de transmissão entre humanos. Até o momento, a OMS confirmou seis casos de infecção entre os passageiros, com o registro de três óbitos. É importante ressaltar que nenhum dos pacientes infectados ou suspeitos permanece a bordo da embarcação.
Para tranquilizar a população de Tenerife, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que se reuniu com Pedro Sánchez em Madrid, divulgou uma carta aberta descartando qualquer semelhança com crises sanitárias globais anteriores, como a da covid-19. O órgão internacional reforça que o risco atual para a saúde pública permanece baixo, desde que os protocolos de contenção sejam rigorosamente seguidos.
Cooperação internacional e o futuro da embarcação
A operação de resgate e repatriamento reflete uma articulação diplomática complexa. Enquanto mais de 100 pessoas serão repatriadas, 43 membros da tripulação permanecerão no MV Hondius. A embarcação, que esteve anteriormente em quarentena em Cabo Verde, seguirá viagem na segunda-feira em direção aos Países Baixos, país onde está registrada a propriedade do navio. A escolha das Canárias como porto de apoio deveu-se à proximidade logística e à infraestrutura de segurança disponível para lidar com o alerta sanitário internacional.
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