O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, reafirmou nesta segunda-feira (18 de maio) que a conquista de uma maioria absoluta continua a ser um objetivo presente na estratégia do partido. Durante a apresentação da sua moção de estratégia global em Sintra, no âmbito da recandidatura à liderança social-democrata para as eleições diretas de 30 de maio, Montenegro defendeu que o atual cenário parlamentar exige uma nova postura tanto do PS quanto do Chega.
Para o chefe do Governo, o resultado das últimas eleições conferiu à coligação PSD/CDS-PP a responsabilidade de governar, mas não entregou a maioria absoluta. Montenegro sublinhou que, em democracia, a estabilidade depende da capacidade de diálogo e da assunção de responsabilidades por parte das forças políticas, apelando ao fim das chamadas “cercas sanitárias” que, segundo ele, têm travado o debate político construtivo.
O apelo por uma oposição responsável
Montenegro destacou que, embora o Governo tenha a legitimidade para conduzir o país, a viabilização de propostas parlamentares depende de uma postura menos obstrucionista da oposição. O líder social-democrata criticou o alinhamento frequente entre PS e Chega, apontando que ambos têm votado em conjunto com maior regularidade do que com a bancada do governo.
O primeiro-ministro reforçou que o seu executivo não descarta aproximações pontuais, tema a tema, com os diferentes partidos. “Vamos deixar essas conversas de cercas sanitárias”, afirmou, defendendo que a liberdade de diálogo é essencial para que o país possa avançar com as reformas necessárias, independentemente de preferências ideológicas ou bloqueios partidários pré-estabelecidos.
O desafio das reformas estruturais
Um dos pontos centrais do discurso de Montenegro foi o compromisso com a transformação do Estado. O líder do PSD acusou setores da política nacional de adotarem um discurso reformista apenas em contextos públicos, como televisões e jornais, mas recuarem no momento em que as decisões precisam ser tomadas no Parlamento.
Ao citar o exemplo da nova lei de organização do Tribunal de Contas, Montenegro deixou claro que o Governo não pretende manter o status quo. O primeiro-ministro prometeu forçar os partidos a “revelarem-se” durante as votações, argumentando que a resistência a mudanças, muitas vezes motivada por interesses corporativos ou receio de perda de popularidade, não pode impedir a modernização da administração pública.
Governação e o futuro da legislatura
A moção apresentada reafirma a exclusão de acordos de governação formais tanto com o Chega quanto com o PS, mantendo a linha de conduta que o líder do PSD tem defendido desde o início do seu mandato. Montenegro insiste que a maioria absoluta, embora desejável para facilitar a governação, deve ser conquistada através da vontade popular nas urnas, e não por meio de conluios ou estratégias de bastidores.
O tom adotado em Sintra reflete a confiança de Montenegro na sua estratégia de gestão, focada na transparência e na pressão sobre os partidos da oposição para que assumam o custo político das suas escolhas. O líder do PSD aposta na clareza das posições para consolidar o apoio dos eleitores e garantir a sustentabilidade do seu governo até o final da legislatura.
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Para mais detalhes sobre a posição do partido, consulte a moção de estratégia global de Luís Montenegro.