Lisboa avança com suspensão de trotinetes partilhadas após falha de operadores

Lisboa avança com suspensão de trotinetes partilhadas após falha de operadores

O fim do modelo atual de mobilidade partilhada

A capital portuguesa prepara-se para uma mudança drástica na sua política de mobilidade urbana. A Câmara Municipal de Lisboa, sob a liderança de Carlos Moedas, submeterá à votação na próxima reunião de câmara, agendada para 21 de outubro, uma proposta para a suspensão total do serviço de trotinetes partilhadas na cidade. A decisão surge após anos de tentativas de regulação que, segundo o autarca, não foram suficientes para garantir a segurança e a ordem no espaço público.

O presidente da autarquia foi enfático ao justificar a medida. Em nota enviada à agência Lusa, Moedas afirmou que, perante os dados acumulados, não resta outra alternativa. O problema, que se tornou crónico, envolve infrações constantes como a circulação em contramão, o uso indevido de passeios e o transporte de duas pessoas por veículo, além do abandono frequente dos equipamentos em locais que obstruem a passagem de peões, especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Desafios na fiscalização e o impacto no espaço público

A gestão do espaço público tornou-se um desafio logístico insustentável para a autarquia. De acordo com o gabinete de Carlos Moedas, a câmara recolhe mensalmente mais de 1.000 trotinetes devido ao estacionamento irregular. O cenário é agravado por estatísticas preocupantes: entre 2024 e 2026, o número de remoções efetuadas pelos serviços municipais cresceu 40%, contrariando a expectativa de uma redução gradual que deveria ter sido alcançada através dos acordos estabelecidos com os operadores.

O autarca destacou a dificuldade operacional de fiscalizar o setor, uma vez que os veículos não possuem matrícula e são facilmente abandonados em qualquer ponto da cidade, muitas vezes por turistas que desconhecem ou ignoram as normas locais. “Não é possível ter um polícia municipal atrás de cada trotinete”, sublinhou Moedas, reforçando que os recursos humanos da força municipal são necessários para outras prioridades de segurança urbana.

Tentativas de regulação e pressão popular

Antes de avançar para a suspensão, a Câmara Municipal de Lisboa tentou implementar diversas soluções intermédias. Medidas como a limitação de frota, a criação de zonas de interdição, o uso de georreferenciação, a imposição de limites de velocidade e a criação de estacionamentos específicos foram testadas, mas revelaram-se ineficazes perante a persistência dos comportamentos de risco. O acordo de 2023 e a adenda de junho de 2025, que visavam disciplinar o serviço, não produziram os resultados esperados.

Paralelamente à ação do executivo municipal, a sociedade civil também se mobilizou. O Automóvel Clube de Portugal (ACP) recolheu cerca de 20 mil assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa, superando largamente o mínimo necessário de cinco mil, para exigir a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema. A petição será entregue na Assembleia Municipal de Lisboa, adicionando uma camada de pressão política e popular a um debate que divide opiniões sobre a mobilidade sustentável e o uso responsável da via pública.

O Mais 1 Portugal continua a acompanhar de perto os desdobramentos desta medida e o impacto que a possível suspensão terá no quotidiano dos lisboetas. Mantenha-se informado através do nosso portal, onde trazemos diariamente análises aprofundadas sobre os temas que moldam a atualidade nacional.

Mais Lidas

Veja também