A Iniciativa Liberal (IL) deu entrada a um requerimento no parlamento para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão de Luís Neves enquanto Diretor Nacional da Polícia Judiciária, solicitando o depoimento de cerca de 40 personalidades e um vasto conjunto de documentação financeira e patrimonial.
Segundo nota enviada às redações, entre as figuras visadas pelo pedido dos liberais surgem nomes já sinalizados por outras bancadas parlamentares, como o próprio Luís Neves, a ministra da Justiça, Rita Júdice, o antigo primeiro-ministro António Costa e o empreiteiro da Construbarcelos.
Abrangência institucional e política na lista de audições
Contudo, a lista da IL alarga-se a outros intervenientes de relevo institucional e político no cenário nacional. Requerem-se as audições do ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, e de Ricardo Carrilho, ex-secretário-Geral do Ministério da Administração Interna (MAI), demitido recentemente por Luís Neves.
Estas diligências pretendem mapear as interações entre diferentes esferas do poder e a estrutura de direção da Polícia Judiciária ao longo dos últimos anos.
Escrutínio financeiro e patrimonial exigido pelos liberais
No plano probatório e documental, a bancada liberal exige um escrutínio aprofundado sobre o património e encargos do ex-líder da Judiciária. O partido requereu o acesso aos extratos bancários pessoais de Luís Neves durante o período em que exerceu as funções de Diretor Nacional da PJ.
Foram igualmente pedidas as escrituras dos montes alentejanos adquiridos pelo próprio entre 2024 e 2025, bem como ao histórico de movimentos do cartão de crédito corporativo utilizado na instituição policial. A IL pretende ainda obter os registos do identificador Via Verde associado ao veículo apreendido a Ruben Oliveira no decurso da Operação Exotic Fruit.
Diferentes estratégias das bancadas parlamentares na CPI
A iniciativa da IL junta-se às estratégias processuais já delineadas por outras bancadas para os trabalhos do inquérito parlamentar. O Chega, partido que impulsionou a constituição da CPI, apresentou uma proposta que visa ouvir pelo menos 50 pessoas, compreendendo 40 personalidades identificadas e 10 a indicar, conforme detalhado pelo Diário de Notícias.
Em contraste com a amplitude das listas apresentadas pelo Chega e pela IL, o PCP optou por uma abordagem mais contida. Os comunistas limitaram o seu requerimento inicial a quatro audições chave, focando-se em dirigentes e ex-dirigentes da estrutura policial.
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