Juiz americano Alvin Hellerstein morre aos 92 anos em Nova York

Juiz americano Alvin Hellerstein morre aos 92 anos em Nova York

O magistrado americano Alvin Hellerstein, conhecido por conduzir processos complexos e de grande repercussão internacional, morreu aos 92 anos. A confirmação do falecimento foi feita por um funcionário do Judiciário, marcando o encerramento da trajetória de um dos juízes federais mais longevos dos Estados Unidos.

Hellerstein estava à frente da ação judicial em Nova York contra o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro. Devido à sua idade avançada, havia debates jurídicos sobre a viabilidade de sua permanência na condução do que poderia se estender como um longo julgamento envolvendo acusações de narcotráfico.

Legado em grandes casos judiciais

Ao longo de sua carreira na magistratura, Alvin Hellerstein acumulou a responsabilidade de julgar causas de enorme impacto público. Entre os marcos de sua atuação esteve a supervisão de processos civis relacionados aos atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, nos quais o juiz frequentemente recusou acordos que julgava inadequados para os demandantes.

Formado em Direito pela Universidade Columbia, o magistrado atuou como advogado no Exército dos Estados Unidos entre 1957 e 1960 antes de migrar para a advocacia privada. Em 1998, foi indicado pelo então presidente Bill Clinton para o cargo de juiz do Distrito Sul de Nova York.

Decisões marcantes e confrontos políticos

A atuação de Alvin Hellerstein também se destacou por decisões que contrariaram governos e figuras de forte expressão política. O magistrado rejeitou um pedido apresentado pelo então presidente Donald Trump para transferir à esfera federal um processo em Nova York relacionado a pagamentos não declarados.

Em outro momento de grande repercussão, o juiz impediu que a administração federal realizasse a deportação sumária de supostos membros de uma organização criminosa venezuelana sem a devida garantia de audiência judicial. Em 2015, determinou ainda que o governo americano divulgasse registros fotográficos que evidenciavam abusos contra detidos em conflitos no Iraque e no Afeganistão.

Mudanças na condução do processo

Com o falecimento do magistrado, um documento emitido pelo tribunal distrital em Nova York confirmou que a responsabilidade pelo processo de narcotráfico contra Nicolás Maduro foi transferida para a juíza Analisa Torres.

O caso contra Maduro teve como desdobramento anterior a condenação do ex-chefe de inteligência da Venezuela, Hugo Armando Carvajal. O líder venezuelano havia sido capturado por forças americanas durante uma operação militar realizada em janeiro na capital venezuelana, Caracas.

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