Incerteza fiscal empurra dólar para R$ 5,38 no governo Lula

Incerteza fiscal empurra dólar para R$ 5,38 no governo Lula

Após dois pregões seguidos de queda, em que acumulou baixa de 1,16%, o dólar apresentou alta firme nesta quinta-feira (29) e flertou com fechamento na casa de R$ 5,40. Além do ambiente externo de aversão ao risco, marcado por desvalorização de divisas latino-americanas, dúvidas sobre a disposição do governo em promover um ajuste fiscal pesaram sobre o real, segundo operadores.

Repercussão das declarações sobre corte de gastos

Em postagem feita em rede social, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, descartou a possibilidade de corte de gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal. As máximas do dólar no início da tarde, quando a divisa atingiu o pico de R$ 5,4290, foram atribuídas por operadores à percepção de que as declarações representam a visão de uma ala muito próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gestores de portfólio apontam que o mercado tem operado muito mais o quadro local do que o externo nesta semana pós-eleição. O foco principal dos investidores permanece na definição da política econômica e na real intenção de controle das contas públicas pelo governo federal.

Expectativas em torno da equipe econômica e do Banco Central

A febre compradora amainou na última hora do pregão, e o dólar passou a oscilar ao redor de R$ 5,40. Parte do alívio veio de informações veiculadas pela imprensa sobre articulações para o Ministério da Fazenda, trazendo nomes bem-vistos pelo mercado financeiro.

Com o refresco no fim da sessão, o dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 5,3878, em alta de 0,89%. O real amargou nesta quinta-feira o segundo pior desempenho entre divisas mais líquidas, à frente apenas do peso mexicano, enquanto investidores continuam atentos também às futuras indicações para as diretorias do Banco Central.

Cenário internacional e indicadores norte-americanos

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, o índice DXY deu sequência ao movimento de queda iniciado na tarde de quarta-feira e furou o piso dos 102,000 pontos. O movimento ocorreu apesar de dados recentes de inflação e atividade nos Estados Unidos que mantêm o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve.

O Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, superando as projeções iniciais. Enquanto isso, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida de inflação monitorada de perto pelo banco central americano, veio em linha com as expectativas, mas ainda acima da meta anual.

Mais Lidas

Veja também