Após dois pregões seguidos de queda, em que acumulou baixa de 1,16%, o dólar apresentou alta firme nesta quinta-feira (29) e flertou com fechamento na casa de R$ 5,40. Além do ambiente externo de aversão ao risco, marcado por desvalorização de divisas latino-americanas, dúvidas sobre a disposição do governo em promover um ajuste fiscal pesaram sobre o real, segundo operadores.
Repercussão das declarações sobre corte de gastos
Em postagem feita em rede social, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, descartou a possibilidade de corte de gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal. As máximas do dólar no início da tarde, quando a divisa atingiu o pico de R$ 5,4290, foram atribuídas por operadores à percepção de que as declarações representam a visão de uma ala muito próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Gestores de portfólio apontam que o mercado tem operado muito mais o quadro local do que o externo nesta semana pós-eleição. O foco principal dos investidores permanece na definição da política econômica e na real intenção de controle das contas públicas pelo governo federal.
Expectativas em torno da equipe econômica e do Banco Central
A febre compradora amainou na última hora do pregão, e o dólar passou a oscilar ao redor de R$ 5,40. Parte do alívio veio de informações veiculadas pela imprensa sobre articulações para o Ministério da Fazenda, trazendo nomes bem-vistos pelo mercado financeiro.
Com o refresco no fim da sessão, o dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 5,3878, em alta de 0,89%. O real amargou nesta quinta-feira o segundo pior desempenho entre divisas mais líquidas, à frente apenas do peso mexicano, enquanto investidores continuam atentos também às futuras indicações para as diretorias do Banco Central.
Cenário internacional e indicadores norte-americanos
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, o índice DXY deu sequência ao movimento de queda iniciado na tarde de quarta-feira e furou o piso dos 102,000 pontos. O movimento ocorreu apesar de dados recentes de inflação e atividade nos Estados Unidos que mantêm o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, superando as projeções iniciais. Enquanto isso, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida de inflação monitorada de perto pelo banco central americano, veio em linha com as expectativas, mas ainda acima da meta anual.