Obra de José Bértolo revela interseção entre cinema e fotografia na preservação da memória

Obra de José Bértolo revela interseção entre cinema e fotografia na preservação da memória

A relação entre a fotografia e o cinema revela uma constante redescoberta de imagens e memórias. Esse fluxo de sensações e pensamentos transporta o passado para o presente, reinventando o olhar sobre o mundo.

A fotografia como elo entre vida e morte

No livro Espectros do Cinema, publicado em 2020, José Bértolo analisa a matriz fotográfica das produções audiovisuais. A obra destaca como os filmes funcionam como um espaço onde os mortos encontram subsistência no universo dos vivos.

A fotografia atua como um canal de ligação entre a existência e o fim dela. Ao capturar um instante, ela preserva a cópia mimética de um ser humano, permitindo que a imagem permaneça muito além da vida biológica.

O projeto 365 e a intimidade visual

Inspirado por essas reflexões, o trabalho fotográfico 365 explora o transcorrer inexorável do tempo. Durante o período de 22 de fevereiro de 2022 a 21 de fevereiro de 2023, o autor registrou uma imagem por dia em um diário visual e calendário íntimo.

A iniciativa reúne registros de elementos cotidianos, desde animais e reflexos na água até detalhes do chão. Cada clique evidencia a recusa aos clichês mediáticos e a busca por capturar a essência de um instante partilhado.

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