A discussão em torno das políticas de acolhimento e gestão de fluxos migratórios ganhou novos contornos políticos após duras críticas públicas direcionadas ao atual executivo. A ex-ministra socialista com a pasta da imigração apontou o dedo ao seu sucessor, acusando a administração em funções de adotar posturas que alimentam um clima de rejeição inédito no país.
Segundo a eurodeputada, a chegada do atual primeiro-ministro ao poder e a atuação direta do ministro responsável pela área resultaram no encorajamento de percepções desfavoráveis sobre os cidadãos estrangeiros. Para a antiga governante, o centro-direita acabou por ceder a correntes políticas mais radicais, abrindo espaço para narrativas centradas no medo e no alarmismo social.
Impacto político e a sombra do extremismo
Durante a entrevista concedida a um órgão de comunicação social, a ex-ministra sublinhou que, no passado, as principais forças políticas conseguiam estabelecer denominadores comuns na gestão das migrações. No entanto, o surgimento de novas correntes partidárias de cariz extremista alterou profundamente o panorama institucional.
A análise apontou que o medo de perder capital eleitoral para a direita radical levou o Partido Social Democrata a afastar-se da sua própria tradição moderada. A dirigente socialista lamentou que se tenha enraizado a ideia de que o anterior executivo perdeu o controlo das fronteiras, descurando o reconhecimento internacional positivo que as medidas de então obtiveram.
A transição da aima e o regresso do modelo policial
Outro ponto central das críticas prende-se com a extinção do antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a posterior criação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo. A ex-governante considerou um erro grave a devolução de competências de fiscalização e retorno à força de segurança, alertando para os riscos associados ao reforço de uma abordagem puramente policial.
Para a responsável, a concentração de poderes na tutela policial remete para uma associação direta entre imigração e criminalidade, ignorando a matriz humanitária e integradora que a agência especializada deveria garantir. O processo de transição enfrentou múltiplos desafios operacionais, agravados por constrangimentos informáticos e pelo volume expressivo de processos acumulados.
A importância económica da mão de obra estrangeira
A vertente económica da presença estrangeira em território nacional também foi destacada, com referências diretas ao contributo fiscal e laboral registado nos últimos anos. De acordo com os dados citados, mais de 1,03 milhões de cidadãos de outras nacionalidades contribuíram para a segurança social, sustentando setores vitais como a agricultura, o turismo e os serviços de apoio.
A extinção das manifestações de interesse foi apontada como mais uma medida desajustada do atual governo, uma vez que este mecanismo jurídico permitia regularizar trabalhadores já integrados no mercado laboral português. Para a ex-ministra, a ausência de políticas robustas de integração e a falta de investimento em serviços públicos essenciais comprometem o futuro da coesão social.
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