A ambição do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de erguer um monumental arco triunfal em Washington D.C., concebido para ser “o maior e mais bonito do mundo”, está a esbarrar na forte desaprovação da população americana. O projeto, que visa celebrar os 250 anos da declaração de independência do país, tem sido recebido com ceticismo e críticas, refletindo divisões políticas e preocupações com o simbolismo e o impacto histórico.
Apelidado por alguns como “Arco de Trump”, a iniciativa se alinha a outras empreitadas arquitetónicas do ex-presidente, que já demonstrou apreço por construções grandiosas. No entanto, as sondagens indicam que a maioria dos americanos não vê com bons olhos a ideia de um novo monumento na capital, levantando questões sobre a relevância e a aceitação pública de tais projetos em um cenário político polarizado.
Grandiosidade e simbolismo: os detalhes do projeto
O projeto do “Arco Triunfal dos Estados Unidos” prevê uma estrutura imponente de 76,2 metros de altura (250 pés), com uma base de aproximadamente 50 por 50 metros. O desenho, assinado pelo arquiteto Nicolas Leo Charbonneau, destaca-se pela sua estética clássica em pedra branca, adornada com detalhes dourados que, segundo relatos, teriam atraído a atenção de Trump.
No ponto mais alto do arco, a visão é de uma Estátua da Liberdade alada, flanqueada por duas águias, símbolos tradicionais dos EUA. Na base, quatro leões dourados guardam cada um dos cantos da estrutura. As inscrições propostas para os lados do arco carregam mensagens de profundo significado nacional: “Uma nação sob Deus”, trecho do juramento de fidelidade aos EUA, e “Liberdade e Justiça para todos”.
Rejeição em números: a voz da população americana
Apesar da grandiosidade e do simbolismo pretendidos, a proposta enfrenta uma significativa barreira de aceitação pública. Uma sondagem realizada pela Ipsos para a ABC News e o The Washington Post revelou que apenas 21% dos norte-americanos aprovam a construção do arco. Em contraste, uma maioria expressiva de 52% se opõe ao projeto, enquanto 27% dos cerca de 1.300 inquiridos não souberam ou não quiseram responder.
A pesquisa também sublinhou a profunda polarização política em torno da ideia. Entre os eleitores democratas, apenas 6% manifestaram apoio, enquanto 78% se posicionaram contra. Independentes também demonstraram pouca adesão, com 12% a favor e 57% contra. A aprovação é mais forte entre os republicanos, com 51% a favor e 19% contra, e atinge seu pico entre os apoiantes do movimento MAGA (Make America Great Again), onde 63% defendem a construção e apenas 11% se opõem.
Um local de controvérsia: história e visibilidade em jogo
A localização escolhida para o arco, numa rotunda após uma ponte do rio Potomac, entre o Memorial a Lincoln e a Arlington House, tem sido um dos principais pontos de controvérsia. A Arlington House, que hoje serve como memorial ao general Robert E. Lee, figura central da Confederação, está situada no Cemitério de Arlington, local de descanso final para mais de 400 mil veteranos.
Um grupo de veteranos já apresentou uma ação judicial para tentar barrar o projeto, argumentando que o arco perturbaria a visão e o simbolismo de unidade que o local representa após a Guerra Civil. A tensão histórica é palpável: Lincoln liderou a União e aboliu a escravatura, enquanto a Arlington House, construída por escravos, homenageia um general que lutou pela Confederação. Uma projeção do The New York Times sugere que, embora a casa de Lee permaneça visível do Memorial a Lincoln através do arco, o novo monumento ofuscaria o memorial para quem estivesse próximo à Arlington House.
A inspiração parisiense e a ambição de Trump
A ideia de um arco triunfal em Washington D.C. teria germinado na mente de Donald Trump em 2018, quando foi convidado de honra no desfile do Dia da Bastilha, em Paris. Naquela ocasião, o então presidente ficou impressionado com a grandiosidade do evento e, em particular, com o icónico Arco do Triunfo francês. Ele expressou o desejo de que Washington, ao contrário de outras grandes capitais, tivesse seu próprio monumento do tipo.
A ambição de Trump não se limitou a ter um arco; ele queria que fosse o maior. Inicialmente, pensou-se numa altura de 76 pés (referência ao ano de 1776, da declaração de independência), mas o desejo de superar o arco de Paris, que tem 50 metros, levou ao número final de 250 pés (76,2 metros). Isso o tornaria maior que o Arco do Triunfo de Paris, o Monumento à Revolução na Cidade do México (67 metros) e o Arco do Triunfo de Pyongyang (60 metros). A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ao revelar o desenho final em meados de abril, defendeu que o monumento inspiraria gerações futuras, muito depois de todos os presentes terem partido. Para mais detalhes sobre os desenhos, veja aqui os desenhos.
A discussão em torno do Arco Triunfal de Trump é um exemplo claro de como projetos arquitetónicos podem se tornar palcos para debates mais amplos sobre história, memória e identidade nacional. O Mais 1 Portugal continuará a acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes, oferecendo informação contextualizada e aprofundada para que você, leitor, esteja sempre bem-informado sobre os acontecimentos que moldam o mundo.