Aumenta o número de alunos a quem falta, pelo menos, um professor


Há mais alunos sem professores nesta semana de arranque de aulas do que no final do primeiro período. É o que revela a Missão Escola Pública.

Pelas contas do movimento serão agora mais de 40 mil os alunos a quem falta, pelo menos, um docente.

À Renascença, a porta-voz do movimento explica que, no segundo dia de aulas deste período (7 janeiro), existiam “253 horários em Contratação de Escola, o que corresponde a uma estimativa de 31.647 alunos (dados recolhidos em parceria com Davide Martins do Blog DeAr Lindo).

Cristina Mota acrescenta que, se a estes horários forem somados os “205 horários referentes à 15.ª Reserva de Recrutamento, que saiu na sexta-feira e que na segunda-feira ainda estavam em período de aceitação, temos a garantia que, pelos menos 40 mil alunos não tiveram, pelo menos, um professor no início do segundo período”.

Esta responsável lembra que o primeiro período terminou com, pelo menos, 30 mil alunos que não tinham professor a todas as disciplinas.

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Cristina Mota chama a atenção para o facto de estes “valores serem sempre estimados por defeito, ou seja, as contas são sempre com base no mínimo de alunos que temos nesta situação, podendo os valores ser bastante superiores”.

Baixas e reformas agravam situação nos próximos dias

Nestas declarações à Renascença, a porta-voz do movimento Missão Escola Pública alerta que a tendência será de agravamento nos próximos dias, tendo em conta as baixas médicas a que se somam as reformas dos professores.

Cristina Mota recorda que, em janeiro, reformaram-se 374 professores, acreditando que “a tendência vai ser sempre a de se obterem valores recorde”.

Às aposentações, esta responsável sublinha que “há a agravante de não se conseguir atribuir o número de horas extra, tendo em conta que muitos professores já atingiram o máximo”.

Governo não pode delinear

Cristina Mota acrescenta que “este facto poderá traduzir-se em mais baixas médicas, devido ao desgaste associado às horas extra, uma situação, que tem sido reportada à Missão Escola Pública”.

A divergência sobre o número de alunos sem aulas tem suscitado alguma polémica, o que levou o ministro da Educação a pedir uma auditoria externa, que deverá ficar concluída em meados de março, segundo anunciou esta terça-feira, no Parlamento.

Na ocasião, Fernando Alexandre disse ainda que no próximo ano letivo quer ter um sistema de informação que permita monitorizar com exatidão o número de alunos sem aulas, em concreto “um sistema automatizado que vai permitir monitorizar, semana a semana, o número de alunos sem aulas, a que disciplinas e durante quanto tempo”.

Para a Missão Escola Pública, “esta realidade reflete a gravidade da falta de professores e a falta de eficácia das medidas implementadas pelo Ministério da Educação”, recordando algumas das medidas que defende: “aumentos significativos de salários de todos os escalões, aumento do valor monetário das horas extra, atribuição de turma a diretores escolares (pelo menos seis tempos letivos), conversão de componente não letiva em trabalho individual, bem como, no futuro orçamento do Estado, o investimento em Educação corresponder, no mínimo, ao recomendado pela OCDE”.



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